77,4gigawatts de potência solarsomando usinas e telhados estavam registrados na ANEEL em outubro de 2026; um gigawatt é igual a mil megawatts.12
4.665.874sistemas solaresde geração distribuída, a que fica junto do próprio consumidor, estavam no cadastro da ANEEL na mesma data.1
24,0%da energiaque as usinas solares poderiam ter gerado em 2025 foi cortada por ordem do ONS.3
Para comparar esta fonte com as outras em segurança, emissões e terra ocupada, veja a página Comparativos.
Como funciona
Painéis solares no telhado da estação Vila Olímpia, em São Paulo. Foto: Geogast, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.
Imagine que a luz do sol é uma chuva de pacotinhos de energia. Quando essa chuva cai sobre uma placa solar, acontece uma coisa que não dá para ver: a placa transforma a luz em eletricidade diretamente, sem queimar nada e sem peças girando.4
Veja passo a passo
1
Desenho do Mundo Energia Brasil, fora de escala. Os passos seguem o texto acima e as fontes das notas 4 a 10.
Passo a passo, em detalhe
1. A luz chega. A placa solar é feita de pequenas peças chamadas células. Cada célula é feita de um material especial, o semicondutor. O mais usado é o silício, feito a partir do quartzo, uma pedra muito comum.56
2. A luz empurra os elétrons. Dentro do silício existem partículas muito pequenas, os elétrons. A luz que bate na célula dá energia a eles e faz com que comecem a andar. Elétrons andando num fio são exatamente o que chamamos de corrente elétrica.5
3. Muitas células, uma placa; muitas placas, uma usina. As células são ligadas umas às outras dentro de uma placa. As placas, por sua vez, são ligadas entre si: algumas no telhado de uma casa, ou milhares em fileiras numa usina.54
4. O inversor traduz a corrente. A placa faz corrente contínua, a mesma das pilhas. As tomadas de casa usam outro tipo, a corrente alternada. Quem faz essa tradução é um aparelho chamado inversor.57
5. A energia chega à casa e o que sobra vai para a rua. Do inversor, a eletricidade vai para o quadro de luz e para os aparelhos ligados. Se a casa estiver usando menos do que a placa produz, a sobra sai pelo medidor e vai para os fios da rua. A distribuidora mede quanto entrou e quanto saiu da casa.89
6. À noite, a rede ajuda. Sem sol, a placa não produz nada. Então a casa volta a usar a energia que vem pelos fios da rua, como qualquer outra casa.4 É por isso que a solar produz mais perto do meio-dia e para no fim da tarde.10
Existe ainda outro jeito de transformar sol em eletricidade, a usina heliotérmica, ou solar concentrada: espelhos juntam o calor do sol num ponto, esquentam água, e o vapor gira uma turbina.4 Quase toda a solar do Brasil, porém, é de placas fotovoltaicas, como as explicadas acima.
Como é feita uma placa solar
Uma placa solar parece uma peça só, mas é um sanduíche de várias camadas. Quase todo o peso dela é vidro: cerca de 76%. Depois vêm os plásticos que colam e protegem (cerca de 10%), o alumínio da moldura (cerca de 8%), o silício das células (cerca de 5%) e o cobre dos fios (cerca de 1%). A prata das linhas finas que recolhem a corrente pesa menos de 0,1%.11
Abra a placa
Moldura de alumínioO "quadro" que deixa a placa firme e serve para prendê-la no telhado ou no suporte. O alumínio é cerca de 8% do peso da placa.
VidroA camada da frente. Deixa a luz passar e protege tudo o que está embaixo. É a parte mais pesada: cerca de 76% do peso.
Película de plásticoUm plástico transparente que envolve as células, cola as camadas e não deixa entrar água.
Células de silícioA parte que transforma luz em eletricidade (cerca de 5% do peso). Linhas finas de prata recolhem a corrente, e fitas de cobre ligam uma célula na outra.
Película de plásticoA mesma película, agora por baixo das células, para elas ficarem seladas dos dois lados.
FundoUma folha de plástico que fecha e protege a parte de trás. Os plásticos somam cerca de 10% do peso.
Caixa de junçãoA caixinha atrás da placa, onde ficam as ligações elétricas e de onde saem os fios que vão até o inversor.
Desenho do Mundo Energia Brasil, fora de escala: as camadas de verdade são bem mais finas. Composição e pesos: IRENA e IEA PVPS, 2016 (fonte 114).Saiba mais: da areia à placa
O caminho começa na mineração. Do quartzo se faz o silício metálico. Depois, uma parte desse silício é purificada até ficar quase pura: é o polissilício, usado nas células solares.6 O polissilício vira blocos, os blocos são fatiados em lâminas finas, as lâminas viram células, e as células são montadas nas placas.127 Quase toda a emissão de gases de efeito estufa da solar está nessa fabricação: no caso europeu estudado pela UNECE, cerca de 40% das emissões dos painéis de silício vêm da eletricidade usada para refinar o silício.7 Por isso, quanto mais sol e mais anos de uso, menor fica a emissão por quilowatt-hora.13 O IPCC considera 25 anos de vida para os painéis.14
Linha do tempo no Brasil
2011
Começa a funcionar em Tauá, no Ceará, a primeira usina solar do país a produzir energia em escala comercial, com 1 megawatt.15
2012
A ANEEL cria o sistema de compensação: a energia que o consumidor gera e manda para a rede é emprestada à distribuidora e depois descontada do que ele consome.16
2014
A solar entra pela primeira vez nos leilões de energia: 31 usinas e 890 megawatts, num leilão de energia de reserva.17
2015
Ano recorde da solar nos leilões, com 1.763 megawatts vendidos em dois leilões.17
2019
O deputado Silas Câmara apresenta na Câmara o projeto que viraria a lei da geração distribuída.18
2022
Em janeiro, a lei da geração distribuída é sancionada.18 Em outubro, acontece o último leilão de geração com solar registrado pela ANEEL até 2025.17
2023
Começa a transição da lei: quem pediu ligação depois do prazo passa a pagar, aos poucos, parte do uso da rede. A CDE, o fundo pago pelas contas de luz, começa a cobrir a parte que eles deixam de pagar.1920
2024
O governo aumenta de 9,6% para 25% o imposto de importação das placas solares.21
2025
A solar é a fonte que mais cresce no país.22 Em novembro, uma nova lei cria regras para compensar parte dos cortes de geração das usinas.23
2026
O governo marca para dezembro o primeiro leilão de baterias, para contratos que começam em 2028.24
2029previsto
Termina a transição da lei da geração distribuída para quem não ficou protegido pelas regras antigas.19
2045previsto
Termina a proteção das regras antigas para quem já tinha painel ou pediu ligação até janeiro de 2023.25
Os jeitos de usar a solar
Existem dois grandes jeitos de usar a energia do sol no Brasil. Um é a geração centralizada: usinas grandes, no chão, que vendem energia em leilões ou para empresas, como qualquer outra usina. O outro é a geração distribuída: a pessoa ou a empresa produz a própria energia, perto de onde consome, e desconta da conta de luz.48
A placa fica num lugar e o desconto vai para outro imóvel do mesmo dono, na mesma distribuidora
Painéis na fazenda abatendo a conta da casa na cidade
Geração compartilhada
Várias pessoas ou empresas se juntam num consórcio ou cooperativa e dividem a energia
A "fazenda solar por assinatura"
Condomínio
A energia é dividida entre as unidades de um mesmo prédio ou conjunto
Um condomínio que divide a energia entre os apartamentos
Em outubro de 2026, dois terços da potência da geração distribuída solar (66,6%) ficavam na própria unidade, quase sempre no telhado. O autoconsumo remoto tinha 26,8%, a geração compartilhada 6,3% e os condomínios 0,2%. A microgeração somava 81,1% da potência, e a minigeração, o resto.1
Saiba mais: o que é o "crédito" de energia
Quando a placa produz mais do que a casa usa no mês, a sobra vira crédito. Esse crédito é usado nos meses seguintes e vale por 60 meses, ou seja, cinco anos.26 Mesmo com crédito, a conta não zera: a energia do painel só abate a conta até um valor mínimo, que continua sendo cobrado.27
A lei da geração distribuída e quem a fez
Até 2022, as regras da geração distribuída eram resoluções da ANEEL. Em janeiro de 2022, elas viraram lei: a Lei nº 14.300, chamada de marco legal da microgeração e minigeração distribuída.18
Como a lei foi feita. O projeto (PL 5.829/2019) foi apresentado em novembro de 2019 pelo deputado Silas Câmara (Republicanos-AM). Na Câmara, o relator, que é o deputado encarregado de estudar o projeto e propor o texto final, foi primeiro Benes Leocádio (Republicanos-RN) e depois Lafayette de Andrada (Republicanos-MG), escolhido em dezembro de 2020. O texto de Lafayette foi aprovado pela Câmara em agosto de 2021, por 476 votos a 3. No Senado, o relator foi o senador Marcos Rogério, e o texto foi aprovado com mudanças em dezembro de 2021. A lei foi sancionada em 6 de janeiro de 2022, com vetos em alguns trechos.18 Depois, Lafayette apresentou outro projeto para deixar mais claros alguns pontos da lei.28
O que a lei mudou, em palavras simples.
Quem já tinha painel (ou pediu a ligação até um ano depois da lei) continua com as regras antigas até o fim de 2045.25
Quem chegou depois paga, aos poucos, uma parte do uso dos fios da distribuidora sobre a energia compensada: 15% dessa parte em 2023, 30% em 2024, 45% em 2025, 60% em 2026, 75% em 2027 e 90% em 2028. Em 2029, passa a valer a regra definitiva.19
Enquanto isso, a CDE paga a parte do uso da rede que essas unidades deixam de pagar.2920
Quem representa o setor
Como em todo assunto que mexe com a conta de luz, a geração distribuída tem defensores e críticos organizados. Essas entidades mandam sugestões à ANEEL e ao Ministério de Minas e Energia nas consultas públicas, falam em audiências no Congresso e, às vezes, vão à Justiça. O que elas dizem sobre si mesmas, como o número de associados, é dado da própria entidade.
Empresas do setor
ABSOLARAssociação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica
Empresas de toda a cadeia solar.
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Quem faz parte. Fundada em 2013, diz reunir mais de 600 empresas de toda a cadeia: fabricantes de painéis e inversores, distribuidores, instaladores, donos de usinas, bancos e universidades.30
O que defende. A expansão da energia solar, nas usinas e nos telhados; isenção de ICMS para quem gera em casa, acesso mais fácil à rede e uma política industrial para o setor.30
Onde aparece. Acompanha as consultas da ANEEL e os projetos de lei e move ações judiciais coletivas.30 Com a associação eólica, pediu na Justiça o ressarcimento dos cortes de geração.31
Geração distribuída
ABGDAssociação Brasileira de Geração Distribuída
Empresas da geração distribuída.
Ver mais
Quem faz parte. Criada em 201532, diz ter mais de 1.450 empresas associadas: investidores, instaladores, distribuidores e fabricantes.33
O que defende. As regras da geração distribuída32; baterias nas casas e nos comércios, com crédito maior para a energia mandada à rede no horário de pico, e os mesmos incentivos de imposto que a geração renovável tem.33
Onde aparece. Junto ao Congresso, à ANEEL e ao governo32; em 2025, falou em audiência da Comissão de Minas e Energia da Câmara sobre armazenamento.33
Geração distribuída
INELInstituto Nacional de Energia Limpa
Instituto que defende a geração distribuída.
Ver mais
Quem faz parte. Instituto que defende a geração distribuída, presidido por Heber Galarce.34
O que defende. Diz que os cortes de geração não podem ser culpa só dos telhados e que faltam linhas de transmissão.35 Acusou a ANEEL de ir além da lei de 2022 ao regulamentá-la.34
Onde aparece. Em 2023, entregou ao líder do PT na Câmara um documento contra a resolução da ANEEL que regulamentou a lei.34
Distribuidoras
ABRADEEAssociação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica
As distribuidoras de energia elétrica.
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Quem faz parte. As distribuidoras de energia: diz reunir 42 empresas, públicas e privadas, que atendem cerca de 99,8% dos consumidores do país.36
O que defende. Diz que os descontos da geração distribuída encarecem a conta de quem não tem painel.37 Defendeu que os contratos das distribuidoras sejam renovados sem cobrança.38
Onde aparece. Apoia o Movimento Energia Justa37; em 2023, mandou contribuição à consulta pública do Ministério sobre a renovação das concessões.38
Consumidores
ABRACEAssociação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres
Grandes consumidores de energia da indústria.
Ver mais
Quem faz parte. Diz reunir mais de 50 grupos empresariais, com quase 40% do consumo de eletricidade da indústria.39
O que defende. Também critica os descontos da geração distribuída37 e quer que os subsídios saiam da conta de luz e passem para o orçamento do governo.39
Onde aparece. Apoia o Movimento Energia Justa, com a ABRADEE e a Frente Nacional dos Consumidores de Energia.37
Segundo dados da ANEEL citados pelo Movimento Energia Justa, o custo dos descontos é dividido por cerca de 68 milhões de consumidores sem geração própria, em favor de 6,6 milhões de unidades com geração própria.37
Do lado do governo, quem faz as regras e acompanha o setor são o Ministério de Minas e Energia, a ANEEL, a EPE e o ONS. A página Quem opera explica o papel de cada um.
Quem são os donos
Somando usinas e geração distribuída, o Brasil tinha 77,4 gigawatts de potência solar em outubro de 2026. Quase metade (45,9%) estava em sistemas de pessoas físicas. As empresas e outras pessoas jurídicas tinham 23,5% em geração distribuída, e as usinas grandes, 30,5%.12
Nas usinas, o cadastro da ANEEL mostra 1.156 empresas donas. A maior é a Sabesp, a companhia de saneamento de São Paulo, com 2,0% da potência das usinas solares em operação; as dez maiores somam 8,2%.2 Mas esse retrato engana um pouco: um projeto grande costuma ser dividido em várias usinas, cada uma em nome de uma empresa criada só para ela. O conjunto Futura, em Juazeiro, na Bahia, aparece no cadastro como 22 usinas, com 692 megawatts no total; ele pertence à Eneva.240 O conjunto de Janaúba, em Minas Gerais, aparece como 20 usinas, com 1.000 megawatts, e pertence à Elera Renováveis.240
Onde estão as placas
A melhor radiação solar do país está no Nordeste.4 Mesmo os lugares com menos sol no Brasil recebem mais sol do que o lugar mais ensolarado da Alemanha, um dos países com mais energia solar instalada, segundo o pesquisador do INPE que coordenou o Atlas Brasileiro de Energia Solar.4142
As usinas grandes ficam onde há mais sol e terra disponível: Minas Gerais (8.767 megawatts), Bahia (3.057) e Piauí (2.404) lideram.2 Os telhados ficam onde há mais gente e mais consumo: São Paulo (7.569 megawatts), Paraná (6.863) e Minas Gerais (6.398) lideram na geração distribuída.1
A animação abaixo mostra, no mapa, onde a potência solar foi aparecendo de 2012 a 2026. Ela começa sozinha quando aparece na tela; depois, é só apertar o botão ou arrastar a barra até o ano que quiser. As usinas contam a partir do ano em que começaram a operar.2 A geração distribuída conta pelo ano registrado no cadastro da ANEEL, que é aproximado.1 Logo depois da animação, o gráfico mostra quanto as usinas somavam em cada ano.
O Brasil se enchendo de placas
geração distribuídausinas solarescírculo maior = mais potência
2026
–geração distribuída
–usinas solares
–total
Potência solar acumulada até cada ano. Pontos: municípios agrupados em áreas de cerca de 75 km. Geração distribuída: ANEEL (fonte 065), pelo ano registrado no cadastro, que é aproximado (veja Fontes e método). Usinas: ANEEL, SIGA (fonte 008), pelo ano em que começaram a operar. Contorno dos estados: IBGE (fonte 134). 2026: até outubro.
O mapa mostra onde estão as placas em outubro de 2026. Cada ponto azul é uma usina, no lugar informado pelo cadastro da ANEEL.2 Cada círculo amarelo soma a geração distribuída de um município e é maior onde há mais potência.1 Clique num ponto para ver os detalhes.
O mapa de hoje
Mapa interativo, outubro de 2026. Círculos amarelos: geração distribuída somada por município; pontos azuis: usinas solares. Clique num ponto para ver os detalhes. Fontes: ANEEL (065 e 008) e coordenadas dos municípios (109).
O Brasil e o mundo
O mundo instalou cerca de 698 gigawatts de energia solar só em 2025 e chegou perto de 3 mil gigawatts no fim do ano, segundo a IEA PVPS, um programa internacional de pesquisa em energia solar ligado à Agência Internacional de Energia.42
O Brasil foi o 7º país que mais instalou energia solar em 2025, com 13,8 gigawatts, e é o 6º com mais energia solar instalada no total, com 66 gigawatts. A China está muito à frente de todos: instalou 415 gigawatts só em 2025.42
A solar também dá emprego. A IRENA, a agência internacional de energia renovável, estimou cerca de 323.800 empregos ligados à energia solar no Brasil em 2024, contando os diretos e os indiretos.43
O que é feito aqui e o que vem de fora
Quase todas as placas solares instaladas no Brasil vêm de fora. Em 2025, o país importou cerca de US$ 1,5 bilhão em placas, 98,3% delas da China, segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China.44 Segundo a associação do setor solar, os dois fabricantes nacionais atendem menos de 2% a 3% da demanda.45 No primeiro semestre de 2026, 92% das placas importadas foram para a geração distribuída, segundo a consultoria Greener.46
A maior parte das estruturas de suporte e do material elétrico é feita no Brasil.45 Em novembro de 2024, o governo subiu de 9,6% para 25% o imposto de importação das placas solares, atendendo a pedidos de fabricantes nacionais.21
O Brasil poderia fabricar suas próprias placas?
O que o Brasil tem. O Brasil é o 2º maior produtor de silício metálico do mundo, atrás só da China: cerca de 180 mil toneladas em 2025, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos.6 É desse silício que, depois de muito purificado, se fazem as células solares.6
O que falta. As etapas do meio, que transformam o silício em polissilício, lâminas e células, quase não existem fora da China. Em 2022, a Agência Internacional de Energia calculou que a China tinha mais de 80% de todas as etapas de fabricação das placas, e que no polissilício e nas lâminas essa parte passaria de 95%.12 O Brasil vende silício metálico para fora (os Estados Unidos, por exemplo, compram dele boa parte do silício metálico que importam), mas compra as placas prontas.644
O que se discute. De um lado, o imposto maior sobre as placas importadas foi pedido pelos fabricantes nacionais.21 De outro, a maior parte das placas compradas vai para telhados de casas e empresas, que pagariam mais caro por elas.46 O primeiro leilão de baterias do governo também separou um produto com exigência de conteúdo nacional.24
Cortes de geração
Usina solar flutuante Araucária, em São Paulo. Foto: Governo do Estado de São Paulo, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons.
Pense numa estrada que fica cheia ao meio-dia. Em certas horas, principalmente nas de muito sol, há mais energia disponível do que o país consegue usar.4710 Quando sobra, alguém precisa produzir menos. Quem decide é o ONS, que manda usinas solares e eólicas reduzirem a produção. Isso se chama corte de geração, ou curtailment.47
A geração distribuída dos telhados não pode ser cortada pelo ONS, porque fica fora do controle dele; por isso, os cortes recaem sobre as usinas.48 Em 2025, a energia das usinas solares que deixou de ser gerada por cortes foi de cerca de 10 terawatts-hora, ou 24,0% de tudo o que as usinas acompanhadas pelo ONS poderiam ter gerado no ano. A maior parte (60,2%) foi por sobra de energia; 25,4% foi por segurança da rede e 14,4% por limites externos às usinas, como falta de linhas de transmissão.3
Quem perde. Energia cortada é energia que a usina não vende. Em novembro de 2025, a Lei nº 15.269 criou regras para compensar os donos das usinas por parte dos cortes, como os causados por limites fora da usina.23 Em janeiro de 2026, a ANEEL suspendeu por 90 dias os ressarcimentos ligados a cortes, até regulamentar a nova lei.49
O desenho abaixo usa a média de todos os dias de 2025. Arraste a barra para ver o que acontece com o sistema elétrico a cada hora: de manhã a solar cresce, perto do meio-dia ela chega ao máximo e, no fim da tarde, ela some bem quando o consumo do país é maior.5010
Um dia de sol
–consumo (mil MW)
–energia solar (mil MW)
–outras usinas (mil MW)
12h
Média de todos os dias de 2025, hora a hora. Fonte: ONS, balanço de energia nos subsistemas (fonte 009), cálculo do Mundo Energia Brasil. "Outras usinas" é o consumo menos a energia solar.
Na média de 2025, o consumo que as outras usinas precisavam atender caía para cerca de 49 mil megawatts ao meio-dia e subia para cerca de 90 mil megawatts às 19h. Só entre 15h e 18h, essa diferença crescia cerca de 26 mil megawatts: é quase quatro vezes a potência da parte brasileira da usina de Itaipu, de 7.000 megawatts.502
Baterias
Uma bateria guarda a energia do meio-dia para usar à noite. Assim, ela pode suavizar a sobra perto do meio-dia e a falta de sol no começo da noite.51
Baterias grandes, na rede. O governo marcou para dezembro de 2026 o primeiro leilão de baterias. As baterias contratadas precisam ser novas, ter pelo menos 30 megawatts, entregar energia por quatro horas seguidas e começar a funcionar em agosto de 2028, com contratos de 15 anos.24
Quanto vai ter. O plano da EPE prevê 6,6 gigawatts de armazenamento em 2035.51 No mundo, o custo de instalar grandes baterias de quatro horas caiu cerca de 95% desde 2010, segundo a IRENA.52
Baterias junto da geração distribuída. A lei permite que uma minigeração solar de até 5 megawatts, em vez de 3, seja considerada "despachável" se tiver baterias capazes de guardar pelo menos 20% da energia que gera no mês.8
Quem paga a conta
Imagine dois vizinhos. Um tem painel no telhado, o outro não. Os dois usam os mesmos fios da distribuidora para receber energia à noite. Mas o vizinho com painel paga menos pelo uso desses fios, porque desconta da conta a energia que mandou para a rede.819 Os fios continuam custando o mesmo, e alguém paga a diferença.
A parte que passa pela CDE. Durante a transição da lei, a CDE paga a parte do uso da rede que a geração distribuída deixa de pagar.29 Essa despesa foi de R$ 0,7 bilhão em 2023, R$ 1,7 bilhão em 2024, R$ 3,7 bilhões em 2025 e R$ 6,9 bilhões em 2026, ano que ainda não terminou (valores de cada ano).20 O dinheiro da CDE vem quase todo das contas de luz; a página Tarifa explica esse fundo.
A conta toda. A ANEEL tem um painel, o Subsidiômetro, que soma todos os descontos pagos pelas contas de luz. Em 2025, eles chegaram a R$ 41,1 bilhões, 17,58% da conta, e a geração distribuída ficou com 31,96% desse total, segundo reportagem sobre o painel.53 Os dois números medem coisas diferentes: o da CDE é só a parte que passa por esse fundo.
Os dois lados. As distribuidoras e os grandes consumidores dizem que os descontos encarecem a conta de quem não tem painel.37 As entidades da geração distribuída dizem que ela foi estimulada pela lei para baratear a conta de luz e democratizar a energia limpa.35
Mitos e dúvidas comuns
"Com painel no telhado, a conta de luz zera?" Não. A energia do painel só abate a conta até um valor mínimo, que continua sendo cobrado.27 E quem não ficou protegido pelas regras antigas paga, aos poucos, uma parte do uso da rede.19
"Energia solar é cara?" No mundo, o custo da energia das grandes usinas solares caiu 89% desde 2010, segundo a IRENA.52 Nos leilões brasileiros, o preço médio da solar caiu de R$ 215 por megawatt-hora em 2014 para R$ 66,70 num leilão de 2019, e depois voltou a subir, para R$ 167 a 178 em 2021 e 2022, em valores de cada ano.17
No cenário de referência, o plano da EPE projeta cerca de 78 gigawatts de micro e minigeração distribuída em 2035, quase toda solar, e 107 gigawatts de solar no total. Para as usinas, a expansão indicativa é de 5,6 gigawatts; o plano diz que, com a sobra de energia nas horas de sol, novas usinas solares sem armazenamento ficam pouco vantajosas para o sistema.5154 Por isso, o futuro da solar no Brasil está cada vez mais ligado às baterias.5424
Outros impactos
Usina fotovoltaica em Malta, na Paraíba. Foto: Kleber Reudo, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.
Materiais. Entre as tecnologias comparadas pela UNECE, a fotovoltaica é a que usa mais cobre por energia produzida, principalmente na instalação elétrica e no inversor; a parte eletrônica também tem pequenas quantidades de prata e ouro.55 Os painéis de filme fino usam materiais especiais, como índio, telúrio e cádmio.56
Fim de vida. Mais de 90% do peso de uma placa é vidro, plástico e alumínio. Vidro, alumínio e cobre podem ser recuperados em mais de 85% do peso da placa; o silício, a prata, o estanho e o chumbo são mais difíceis de reciclar.11 Em regiões com estrutura de reciclagem, o vidro e as partes metálicas podem ser reciclados depois da desmontagem.57
Água. O uso de água dos painéis vem sobretudo da fabricação das células de silício e é moderado.55
Terra. As usinas no chão precisam de áreas sem vegetação; por isso, áreas já desmatadas podem ser escolhidas, diminuindo a degradação.4 Nos telhados, o painel não ocupa terra nova.7
Fontes e método
Ver como os números foram calculados
As informações desta página vêm de dados abertos da ANEEL e do ONS, de relatório do ONS sobre cortes de geração, da Lei nº 14.300/2022 (com as mudanças de 2025), da resolução da ANEEL de 2012, da tramitação do projeto de lei no Congresso, do Balanço Energético Nacional, do Anuário e do Plano Decenal da EPE, da página da EPE sobre fontes de energia, de um tutorial do CRESESB (Cepel), do IPCC, da UNECE, da IRENA, da IEA, da IEA PVPS, do Serviço Geológico dos Estados Unidos, e de reportagens identificadas nas notas.
Como os números foram calculados. Geração distribuída: soma dos sistemas solares no cadastro da ANEEL de outubro de 2026, por modalidade, porte, tipo de pessoa, classe, estado e município (só essas colunas foram lidas; o cadastro tem dados pessoais, que não foram usados). Donos: a potência da geração distribuída de pessoas físicas e de pessoas jurídicas foi somada à das usinas do SIGA. Conjuntos de usinas: usinas com o mesmo nome no SIGA, sem o número final. Um dia de sol: média, hora a hora, de todos os dias de 2025 do balanço de energia do ONS, somando os subsistemas; "consumo que as outras usinas precisam atender" é a carga menos a geração solar. Cortes: dados do ONS de 2025, como na página Eólica. CDE: item de despesa "Subsídio GD - Lei 14.300"; 2026 ainda não terminou. Leilões: soma da potência das solares vendidas em cada leilão de geração, de 2005 a 2025; o preço médio de cada leilão é ponderado pela garantia física.
O mapa e a animação do crescimento. As usinas estão no ponto informado pelo SIGA. A geração distribuída está na sede de cada município (coordenadas do IBGE, em cópia pública), e não no endereço de cada sistema. O ano da geração distribuída é o da data de atualização cadastral do cadastro da ANEEL; o dicionário da ANEEL diz que esse campo é a última atualização do cadastro, e não a data de ligação, então o crescimento ano a ano da animação é aproximado. Sistemas com data anterior a 2012 aparecem em 2012. Cerca de 16 mil usinas com menos de 0,1 megawatt, quase todas no Pará e em Corumbá (MS), ficam numa camada à parte, desligada no início, e cerca de 350 usinas sem coordenadas no SIGA ficam fora do mapa.
Onde os números diferem. O BEN (fim de 2025) traz 44.742 megawatts de geração distribuída solar; o cadastro da ANEEL (outubro de 2026), 53.790. A diferença é de data. A IEA PVPS conta 66 gigawatts no Brasil no fim de 2025, numa medida de placas (corrente contínua) diferente da usada pela ANEEL. A geração solar do balanço do ONS passa da potência das usinas, o que indica que inclui uma estimativa da geração distribuída; o dicionário do ONS não diz isso. A comparação com Itaipu usa a metade brasileira da usina, 7.000 megawatts, como aparece no SIGA.
O que ainda falta. Quanto tempo um sistema leva para se pagar, quantas usinas solares são flutuantes ou juntam a solar com outra fonte, e o grupo dono de cada usina no cadastro (só os conjuntos citados foram identificados, por reportagem). Os números de importação são de levantamento privado; o Comex Stat, do governo, não foi consultado diretamente.
Notas
Ver as 57 notas, com a fonte de cada número
ANEEL, micro e minigeração distribuída, dados abertos, cálculo sobre os dados de outubro de 2026 (fonte 065). ↩
ANEEL, SIGA, dados abertos, cálculo sobre os dados de outubro de 2026 (fonte 008). ↩
ONS, dados abertos, constrained-off de usinas fotovoltaicas, 2025, cálculo sobre os dados (fonte 063). ↩
EPE, página Fontes de energia, seção Energia solar (fonte 057). ↩
CRESESB/Cepel, Tutorial de energia solar fotovoltaica, 2006, p. 12 a 14, 17, 21 e 23 (fonte 110). ↩
USGS, Mineral Commodity Summaries 2026, seção Silicon, fevereiro de 2026 (fonte 118). ↩
UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, p. 44 (fonte 059). ↩
Lei nº 14.300/2022, art. 1º, I a XIV, com a redação dada pela Lei nº 15.269/2025 (fonte 027). ↩
Movimento Econômico, "Justiça nega ressarcimento por cortes que tiraram R$ 6 bi de eólicas e solares", 14 de setembro de 2026 (fonte 180). ↩
Cenário Energia, "Carlos Evangelista deixa presidência da ABGD após uma década à frente da consolidação da geração distribuída no Brasil", 22 de janeiro de 2026 (fonte 123). ↩
ABGD, apresentação na audiência da Comissão de Minas e Energia da Câmara sobre a inserção de sistemas de armazenamento de energia, 2025 (dado de associação) (fonte 1317). ↩
Canal Solar, "INEL entrega documento sobre irregularidades da ANEEL na regulamentação da 14.300", março de 2023 (fonte 1318). ↩
eixos, "Inel rebate Abeeólica e diz que curtailment não pode ser atribuído somente à GD", 2 de dezembro de 2025 (fonte 124). ↩
Cenário Energia, "Abradee celebra 50 anos e reforça protagonismo das distribuidoras na modernização e na transição energética", 28 de novembro de 2025 (dado de associação) (fonte 1319). ↩
Agência Infra, "Movimento Energia Justa alerta para custos da geração distribuída na conta de luz", 27 de agosto de 2025 (fonte 125). ↩
ABRADEE, contribuição à Consulta Pública nº 152/2023 do Ministério de Minas e Energia, julho de 2023, p. 2 e 21 a 25 (fonte 1320). ↩
Brasil Energia, "Abrace quer colocar o consumo no centro da política energética", 18 de junho de 2026 (dado de associação) (fonte 1321). ↩
eixos, "As 10 maiores usinas solares do Brasil", atualizada em 27 de setembro de 2024 (fonte 126). ↩
Revista Pesquisa FAPESP, "Para aproveitar o sol", nº 258, agosto de 2017, sobre o Atlas Brasileiro de Energia Solar, 2ª edição, do INPE (fonte 127). ↩
IEA PVPS, Snapshot of Global PV Markets 2026, folha-resumo, p. 3 (fonte 128). ↩
IRENA e OIT, Renewable Energy and Jobs: Annual Review 2025, janeiro de 2026, p. 21 e 37 (fonte 129). ↩
Canal Solar, matéria sobre a importação de módulos fotovoltaicos da China em 2025, 14 de janeiro de 2026, com dados do Conselho Empresarial Brasil-China (fonte 130). ↩
Poder360, "99% dos painéis solares importados pelo Brasil vêm da China", 30 de agosto de 2026 (fonte 093). ↩
Canal Solar, matéria sobre a parte da geração distribuída nos módulos importados, 16 de setembro de 2026, com dados da Greener (fonte 131). ↩