Mundo Energia Brasil

Fontes

Óleo e diesel

  • Cerca de 70% da energiados Sistemas Isolados, as cidades e vilas fora da rede nacional, veio do diesel em 2025.1
  • R$ 12,56 bilhõesfoi a despesa da CCC em 2025. É a conta, paga nas contas de luz de todo o país, que cobre a maior parte do custo da energia nesses lugares.23
  • 2.076usinas a dieselestavam em operação em outubro de 2026, quase todas pequenas: juntas, somam 3.819 megawatts.4

Para comparar esta fonte com as outras em segurança, emissões e terra ocupada, veja a página Comparativos.

Como funciona

Tanques de combustível de uma usina termelétrica
Tanques de combustível da usina termelétrica Gera Maranhão. Foto: Arthur Victor, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

Uma usina a diesel funciona como o motor de um caminhão, só que parado no chão e ligado a um gerador. O motor queima o combustível, e o gerador transforma o giro do motor em eletricidade.56

Veja passo a passo

Desenho de uma vila na beira de um rio da Amazônia: uma balsa traz o diesel até o tanque de uma pequena usina, o motor queima o combustível, o gerador faz eletricidade e os fios levam a energia até as casas, de dia e de noite. DIESELDIESELDIESEL DIESEL balsa com dieseltanque motor chaminé gerador transformador casas da vila De onde vem o diesel refinaria balsa pelo rio tanque o diesel é feito do petróleo, na refinaria Dentro do motor 1. Puxa o ar 2. Aperta o ar 3. O diesel pega fogo 4. Solta a fumaça pistão sobe e desce;o eixo embaixo gira Dentro do gerador NS ímã girando entre fios de cobre Funciona a qualquer hora vaziocheio diesel no tanque de dia e de noite enquanto houvercombustível
1
Desenho do Mundo Energia Brasil, fora de escala. Os passos seguem o texto acima e as fontes das notas da seção Como funciona.

Passo a passo, em detalhe

O caminho do diesel: da refinaria, pela balsa no rio, até o tanque da usina

1. O diesel chega. O óleo diesel é feito do petróleo, numa refinaria.5 Na Amazônia, ele viaja pelos rios em balsas até as usinas das cidades e vilas que não estão ligadas à rede nacional.7

Cilindro do motor em corte: o pistão sobe e aperta o ar, que fica quente

2. O motor puxa o ar e aperta. Dentro do motor há cilindros, como copos de metal, e dentro de cada um uma peça que sobe e desce: o pistão. Quando desce, o pistão puxa ar para dentro. Quando sobe, aperta esse ar com muita força, e o ar apertado fica muito quente.89

Cilindro do motor em corte: o bico joga diesel no ar quente, que pega fogo e empurra o pistão

3. O diesel pega fogo sozinho. Um bico joga gotinhas de diesel nesse ar quente, e o diesel pega fogo na hora, sem precisar de faísca, como acontece no motor a gasolina.98 A queima empurra o pistão para baixo com força. Depois, o pistão sobe de novo e empurra a fumaça para fora.8

Cilindro do motor em corte: o pistão preso ao eixo de baixo, que gira

4. O sobe e desce vira giro. O pistão está preso a um eixo torto, o virabrequim, que gira quando o pistão sobe e desce, como o pedal faz a roda da bicicleta girar.8 Com vários cilindros trabalhando um depois do outro, o eixo não para.

Gerador por dentro: um ímã gira entre bobinas de fio de cobre e acende uma lâmpada

5. O gerador faz a eletricidade. O eixo do motor gira o gerador, também chamado de alternador. Ele transforma o movimento em energia elétrica.6 Motor e gerador juntos formam o grupo gerador.6

Sol e lua, e um marcador de diesel no tanque: a usina funciona a qualquer hora enquanto houver combustível

6. Os fios levam a energia às casas. Da usina, a eletricidade segue pelos fios até as casas. Diferente do sol e do vento, o diesel não depende do tempo: a usina pode funcionar de dia e de noite, enquanto houver combustível no tanque.

As usinas a óleo combustível, um óleo mais grosso, também queimam o combustível em motores ou em caldeiras.5 As maiores do país, como Suape II, em Pernambuco, com 381,3 megawatts, são desse tipo.4

Saiba mais: o motor de Rudolf Diesel

O motor a diesel tem o nome do engenheiro alemão Rudolf Diesel, que conseguiu uma patente para ele em 1892 e mostrou um motor funcionando em 1897.10 O segredo é apertar muito o ar: por isso esse motor é chamado de motor de ignição por compressão, e costuma aproveitar melhor o combustível do que o motor a gasolina.9

Do petróleo ao diesel

O diesel e o óleo combustível vêm do petróleo, uma mistura de muitas substâncias. Na refinaria, o petróleo é aquecido numa torre, e cada parte se separa conforme a temperatura em que ferve.11 O diesel ferve a cerca de 270 °C; o óleo combustível, mais pesado, a cerca de 500 °C.11

O Brasil tinha 18 refinarias em operação em julho de 2025, capazes de processar 2,31 milhões de barris de petróleo por dia.12

Abra a torre

Desenho de uma torre de destilação de refinaria: o petróleo aquecido entra embaixo, o vapor sobe e cada parte sai numa altura, dos gases no alto ao asfalto no fundo; o diesel sai no meio e o óleo combustível, perto do fundo. mais friomais quente forno petróleo(cru) 123456 Gasescerca de 20 °CNafta e gasolinade 70 a 120 °CQuerosenecerca de 170 °CDieselcerca de 270 °CÓleo combustívelcerca de 500 °CAsfaltoacima de 600 °C

O petróleo é uma mistura de muitas substâncias. Na torre, cada uma vira líquido de novo numa altura diferente: as leves no alto, onde é mais frio, e as pesadas embaixo. Toque nos números para ver cada parte.

  1. GasesOs mais leves sobem até o alto da torre. Uma parte vira gás de cozinha.
  2. Nafta e gasolinaSaem logo abaixo. A gasolina move carros; a nafta vira matéria-prima de plásticos.
  3. QueroseneMais pesado que a gasolina. É o combustível dos aviões.
  4. DieselSai no meio da torre. Move caminhões, ônibus, barcos e os motores das usinas a diesel.
  5. Óleo combustívelGrosso e escuro, quase no fundo. Queima em navios, indústrias e usinas a óleo.
  6. AsfaltoO que sobra no fundo, pesado demais para virar vapor. Vai para as ruas e estradas.
Desenho do Mundo Energia Brasil, simplificado e fora de escala; as temperaturas são aproximadas. Separação por temperatura de ebulição: InfoEscola (fonte 336). Uso nas usinas: EPE (fonte 057).
Saiba mais: o biodiesel misturado ao diesel

O diesel vendido no Brasil leva uma parte de biodiesel. Desde 2025, a mistura obrigatória é de 15%.13 As fontes usadas nesta página não dizem quanto biodiesel vai no diesel queimado nas usinas.

Linha do tempo no Brasil

  1. 1973
    É criada a CCC, uma conta para ajudar a pagar o combustível das usinas térmicas das distribuidoras.14
  2. 2005
    O diesel entra no primeiro leilão de energia nova, com uma usina de 140 megawatts.15
  3. 2008
    Ano recorde e último ano do óleo e do diesel nos leilões de geração registrados pela ANEEL: 25 usinas a óleo combustível, com 5.050 megawatts.15
  4. 2009
    Uma medida provisória de julho vira lei em dezembro e define as regras atuais dos Sistemas Isolados e da CCC.163
  5. 2020
    O governo cria o programa Mais Luz para a Amazônia, para levar energia a quem vive em áreas remotas e não tem acesso a ela ou depende de geração não renovável.17
  6. 2021
    Na crise de falta de chuva, o óleo combustível gera 9.453 gigawatts-hora.18
  7. 2023
    Na seca dos rios da Amazônia, o governo faz um estoque de emergência de diesel para as usinas da região.19 É criado o Programa Energias da Amazônia, para reduzir o uso de combustíveis fósseis nos Sistemas Isolados.20
  8. 2024
    Cruzeiro do Sul, no Acre, é ligada à rede nacional.21
  9. 2025
    Boa Vista, a última capital fora da rede nacional, é ligada a ela.21 O leilão dos Sistemas Isolados passa a exigir pelo menos 22% de energia renovável em cada projeto, salvo nos projetos a gás natural.22
  10. 2027previsto
    Em dezembro, começam a funcionar as usinas contratadas no leilão de 2025, que juntam diesel, painéis solares e baterias.23
  11. 2030previsto
    Até o fim do ano, estão previstas outras 16 ligações de Sistemas Isolados à rede nacional.21
  12. 2035previsto
    O plano da EPE prevê 1,3 gigawatt de usinas a diesel e a óleo convertidas para biocombustíveis.24

Onde o óleo e o diesel são usados hoje

Casas de madeira de uma comunidade na beira de um rio da Amazônia
Comunidade ribeirinha no Amazonas. Foto: Robson Romeiro, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

Nas cidades e vilas fora da rede. Em 2025, o planejamento considerava 160 Sistemas Isolados, com 1,965 milhão de pessoas, em seis estados da região Norte e em Fernando de Noronha.25 Neles, a energia vinda do diesel caiu de 2.866 gigawatts-hora em 2024 para 2.633 em 2025. Cidades grandes, como Boa Vista e Cruzeiro do Sul, saíram da conta ao se ligar à rede nacional.1 A página Sistemas Isolados conta essa história em detalhe.

Na rede nacional, como reserva. As usinas a óleo e diesel acompanhadas pelo ONS geraram só 0,22 terawatt-hora em 2025, cerca de 1% do que gerariam funcionando com toda a potência o ano inteiro.26 No grupo de 31 usinas a óleo e diesel identificado no arquivo de motivos de geração, 61,7% da energia foi classificada como razão elétrica, isto é, por necessidade de segurança da rede.2728 Em anos de pouca chuva, elas ajudam a poupar a água das hidrelétricas: em 2021, o óleo combustível gerou 9.453 gigawatts-hora; em 2025, 1.220.1829

Nas empresas que geram a própria energia. Cerca de 59% da eletricidade gerada a diesel em 2025 veio de autoprodutores, empresas que geram a própria energia.30

As leis e quem as fez

A lei dos Sistemas Isolados. As regras atuais nasceram da Medida Provisória nº 466, de julho de 2009, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelos ministros Guido Mantega e Edison Lobão. O Congresso a transformou na Lei nº 12.111, de dezembro de 2009.16 A lei diz que as distribuidoras dos Sistemas Isolados devem comprar energia por licitação31 e que a CCC reembolsa a diferença entre o custo de gerar energia nesses lugares e um valor de referência do mercado regulado da rede nacional.3

Os programas para trocar o diesel. Em 2020, um decreto do presidente Jair Bolsonaro e do ministro Bento Albuquerque criou o Mais Luz para a Amazônia, para atender famílias de áreas remotas sem energia ou que dependem de geração não renovável.17 Esse decreto foi revogado em 2023 por outro decreto, o nº 11.628.17 Também em 2023, um decreto criou o Programa Energias da Amazônia, para reduzir a geração por combustíveis fósseis nos Sistemas Isolados, com mais fontes renováveis, armazenamento e interligações.20

As regras do leilão. Uma portaria do Ministério de Minas e Energia de novembro de 2024 definiu o leilão de 2025 para os Sistemas Isolados: cada projeto precisa ter pelo menos 22% de energia renovável, salvo os projetos a gás natural, e as emissões evitadas contam pontos, a 150 reais por tonelada de gás carbônico equivalente.22

Quem representa o setor

O diesel nos Sistemas Isolados envolve quem gera a energia, quem paga por ela e quem a estuda. Essas entidades mandam sugestões à ANEEL e ao Ministério de Minas e Energia nas consultas públicas, falam em audiências no Congresso e, às vezes, vão à Justiça. O que elas dizem sobre si mesmas, como o número de associados, é dado da própria entidade.

Geradores

ABRAGETAssociação Brasileira de Geradoras Termelétricas

Donos de usinas térmicas.

Ver mais

Quem faz parte. Diz reunir 50 associados e 25.000 megawatts de usinas térmicas a gás natural, nuclear, óleo, diesel e carvão.32

O que defende. Que as térmicas garantem a segurança da rede e prestam serviços que as fontes renováveis não conseguem prestar.32

Onde aparece. Na Comissão de Minas e Energia da Câmara, em audiência sobre o leilão de reserva de capacidade de 2024.32

Consumidores

FNCEFrente Nacional dos Consumidores de Energia

Entidades de consumidores de energia.

Ver mais

Quem faz parte. Reúne entidades de consumidores de energia33 e é presidida por Luiz Eduardo Barata, ex-diretor-geral do ONS.34

O que defende. Encomendou um estudo segundo o qual trocar o diesel por solar com baterias pode baixar em até 44% o custo da energia na Amazônia.33

Onde aparece. Em 2025, pediu ao Ministério de Minas e Energia consulta pública sobre a reforma do setor elétrico.34

Pesquisa

CPI/PUC-RioClimate Policy Initiative

Centro de pesquisa ligado à PUC-Rio.

Ver mais

Quem faz parte. Centro de pesquisa; os autores do estudo assinam como CPI/PUC-Rio35; seu estudo de 2022 sobre o diesel na Amazônia foi financiado pelo Instituto Clima e Sociedade.36

O que defende. Diz que há um incentivo escondido ao diesel por causa do imposto estadual sobre o combustível, e pede regras para as renováveis competirem nos leilões.3738

Onde aparece. Seus estudos são citados no debate sobre a conta da CCC, que, segundo o estudo de 2022, passaria de R$ 10 bilhões naquele ano.39

Do lado do governo, o Ministério de Minas e Energia aprova o planejamento e as regras dos leilões, a EPE faz o planejamento de cada ano, a ANEEL faz os leilões e regula a CCC, e a CCEE prepara o orçamento da CCC.40 A página Quem opera explica o papel de cada um.

Quem são os donos

Os donos são muitos e espalhados: no cadastro da ANEEL de outubro de 2026, são 931 empresas, e as dez maiores somam 43,1% da potência a óleo e diesel em operação. As maiores são a Eneva (7,1%), a Energética Suape II (5,4%), a EPASA, da Paraíba (4,8%), e a Oliveira Energia (4,5%).4 Muitas das pequenas usinas a diesel são de empresas que geram a própria energia.30

Na outra ponta há muitos donos pequenos: 516 empresas têm menos de 1 megawatt cada, como supermercados, frigoríficos e empresas de telefonia com geradores cadastrados na ANEEL. Há também empresas que alugam geradores, como a Aggreko, com 32 usinas, todas no Amazonas.4 O gráfico mostra as dez maiores.

ÓLEO E DIESEL · QUEM É DONO 43,1% com as dez maiores de 931 empresas As dez maiores empresas têm menos da metade da potência Parte de cada empresa na potência das usinas a óleo e diesel em operação, em outubro de 2026 (%). Eneva 7,1 % Energética Suape II 5,4 % EPASA (Paraíba) 4,8 % Oliveira Energia 4,5 % Centrais Elétricas de Pernambuco 4,1 % Baixada Santista Energia 4,0 % Cia. Energética Candeias 3,8 % J&F 3,5 % ArcelorMittal Brasil 3,2 % Termelétrica Pernambuco III 2,8 % Fonte: ANEEL, SIGA (fonte 008), cálculo sobre o cadastro de outubro de 2026: potência de cada usina multiplicada pela participação de cada dono. mundoenergiabrasil.org

Onde estão as usinas

Em outubro de 2026, a ANEEL registrava 2.124 usinas a óleo e diesel em operação, somando 7.119 megawatts. A maior parte delas é pequena: 2.076 usinas a diesel somam 3.819 megawatts, enquanto 34 usinas a óleo combustível somam 2.793.4 Por estado, lideram São Paulo (1.112 megawatts em 643 usinas), Pernambuco (1.064) e Amazonas (854, em 121 usinas).4

A animação mostra as usinas de hoje aparecendo no mapa no ano em que começaram a funcionar, de 2010 a 2026.4 Muitas usinas antigas já foram desligadas e não aparecem. Aperte o botão ou arraste a barra. Logo abaixo, o gráfico mostra quanta eletricidade o óleo diesel e o óleo combustível geraram em cada ano.29

As usinas ano a ano

Mapa animado do Brasil: as usinas a óleo e diesel em operação hoje aparecendo no ano em que começaram a funcionar, de 2010 a 2026. Círculos amarelos: óleo diesel; marrons: óleo combustível e outros derivados.
óleo dieselóleo combustível e outroscírculo maior = mais potência
2026
–usinas a óleo diesel
–óleo combustível e outros
–eletricidade gerada no ano

Potência das usinas a óleo e diesel em operação em outubro de 2026, somada pelo ano em que cada uma começou a funcionar; as que já foram desligadas não aparecem. Pontos: usinas agrupadas em áreas de cerca de 75 km. Fonte: ANEEL, SIGA (fonte 008). Eletricidade gerada no ano (óleo diesel mais óleo combustível, de 2016 a 2025): EPE, Balanço Energético Nacional 2026, Tabela 5.3 (fonte 001). Contorno dos estados: IBGE (fonte 134).
ÓLEO E DIESEL · GERAÇÃO POR ANO 17,3 terawatts-hora em 2021 Em 2021, o ano da falta de chuva, a geração a óleo e diesel disparou Eletricidade gerada com óleo diesel e óleo combustível no Brasil, por ano (terawatts-hora). 13,2 2016 13,8 2017 10,5 2018 8,2 2019 9,0 2020 17,3 2021 7,1 2022 5,7 2023 6,0 2024 6,7 2025 TWh Fonte: EPE, Balanço Energético Nacional 2026, Tabela 5.3 (fonte 001). mundoenergiabrasil.org

O mapa mostra onde estão as usinas a óleo e diesel em operação em outubro de 2026, no lugar informado pelo cadastro da ANEEL. Cada cor é um combustível, e o ponto é maior quando a usina é maior. Clique num ponto para ver os detalhes.4

O mapa de hoje

Mapa interativo das usinas a óleo e diesel em operação em outubro de 2026. Fonte: ANEEL, SIGA (fonte 008).
USINAS A ÓLEO E DIESEL · ESTADOS São Paulo tem mais potência a óleo e diesel que o Amazonas Potência das usinas a óleo e diesel em operação por estado, em outubro de 2026 (megawatts). SP 1.112 MW PE 1.064 MW AM 854 MW PB 517 MW ES 422 MW GO 396 MW BA 363 MW MG 351 MW MA 340 MW RR 292 MW Fonte: ANEEL, SIGA (fonte 008), cadastro de outubro de 2026. mundoenergiabrasil.org

O Brasil e o mundo

No mundo, os combustíveis fósseis que não são carvão nem gás, sobretudo o petróleo, fizeram 2,8% da eletricidade em 2024, segundo o centro de estudos Ember.4142

No Brasil, a parte é bem menor: o óleo diesel e o óleo combustível geraram 6.656 gigawatts-hora em 2025, 0,86% de toda a eletricidade do país.29 O diesel ficou concentrado nos lugares fora da rede nacional e na reserva.

O que é feito aqui e o que vem de fora

O petróleo sobra. O Brasil vende mais petróleo para fora do que compra, e o plano da EPE prevê que mais da metade do petróleo do país seja exportado entre 2025 e 2035.43

O diesel falta. As refinarias do país não fazem todo o diesel que o Brasil usa. Em 2025, cerca de 23% do diesel consumido veio de fora, segundo a EPE.44 O país importou 17,3 bilhões de litros de diesel, um recorde, 20% a mais que em 2024: 8,1 bilhões vieram da Rússia, 5,7 bilhões dos Estados Unidos e 1,63 bilhão da Índia.45 Em março e abril de 2026, a Rússia vendeu 81% do diesel comprado pelo Brasil, segundo os dados de comércio exterior do governo.46

O óleo combustível sobra. Com o óleo combustível acontece o contrário: o Brasil vende mais do que compra, e deve continuar assim até 2035.47

DIESEL · IMPORTAÇÃO EM 2025 17,3 bi litros importados, um recorde Quase metade do diesel importado veio da Rússia Diesel comprado de outros países em 2025, por origem (bilhões de litros). "Outros países" é a diferença entre o total e os quatro países citados. Rússia 8,10 bi L Estados Unidos 5,70 bi L Índia 1,63 bi L Arábia Saudita 0,77 bi L Outros países 1,11 bi L Fonte: Fecombustíveis, 9 de janeiro de 2026, com dados do governo e da consultoria StoneX (fonte 322). mundoenergiabrasil.org

O Brasil poderia ser autossuficiente em diesel?

O que o Brasil tem. Petróleo de sobra, 18 refinarias e uma ampliação em obras: o segundo trem da refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, vai processar mais 130 mil barris por dia.1248

O que falta. Mesmo assim, a EPE calcula que a capacidade de refino do país cresça só 10% entre 2025 e 2035, e que a importação de diesel suba para 52 mil metros cúbicos por dia em 2035, cerca de 25% do que o país vai usar.4944 Para a EPE, o Brasil continua comprando diesel de fora durante toda a década.49

O que ajuda. O biodiesel misturado ao diesel, hoje 15%, diminui a parte que precisa vir do petróleo.13 Nas usinas da Amazônia, o plano da EPE prevê trocar parte do diesel por biocombustíveis.24

Problemas do diesel na Amazônia

Rio Solimões com floresta nas margens, perto de Tefé, no Amazonas
Rio Solimões, perto de Tefé (AM). Foto: sgt-bartos, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

É caro. Um estudo da consultoria Envol, encomendado pela FNCE, calculou que gerar energia com diesel na Amazônia custa cerca de R$ 2.000 por megawatt-hora, contra R$ 238 na rede nacional.33 No leilão de 2025 para os Sistemas Isolados, as usinas que juntam diesel, painéis solares e baterias foram contratadas por R$ 1.593,16 e R$ 2.729,70 por megawatt-hora.23

Depende dos rios. O diesel chega em balsas, e o transporte é muitas vezes interrompido nas épocas de seca.750 Em 2023, na seca dos rios da região, o governo encheu ao máximo os estoques de diesel para as usinas da região; o ministro falou em 169 sistemas isolados a diesel na Amazônia.19

Falha mais. Em Roraima, antes da ligação à rede nacional, houve três apagões gerais entre janeiro e setembro de 2025; depois da ligação, nenhum até julho de 2026, segundo as empresas da linha de transmissão.51

Polui. Em 2025, a geração nos Sistemas Isolados emitiu em média 0,67 tonelada de gás carbônico por megawatt-hora, por causa do diesel e, em menor parte, do gás natural.52 O estudo do CPI/PUC-Rio resume: o diesel é caro e muito poluente.53

CUSTO DA ENERGIA · R$ POR MEGAWATT-HORA 8 vezes a média da rede nacional Gerar com diesel na Amazônia custa cerca de 8 vezes a média da rede nacional Custo para gerar um megawatt-hora, em reais. As duas primeiras barras são do estudo da Envol; as duas últimas, preços das usinas que juntam diesel, sol e baterias no leilão de 2025. Rede nacional, média 238 R$/MWh Diesel na Amazônia 2.000 R$/MWh Leilão de 2025, lote mais barato 1.593 R$/MWh Leilão de 2025, lote mais caro 2.730 R$/MWh Fonte: Estudo da Envol para a FNCE, segundo o Cenário Energia, 16 de maio de 2025 (fonte 329); resultado do Leilão nº 1/2025, segundo o Cenário Energia, 9 de dezembro de 2025 (fonte 330). mundoenergiabrasil.org

Quem paga a conta

Imagine uma vila onde a energia custa muito caro para ser produzida. Se só os moradores pagassem, a conta de luz seria impagável. Por isso existe a CCC: ela paga a diferença entre o custo de gerar energia nos Sistemas Isolados e um valor de referência do mercado regulado da rede nacional.3

De onde vem o dinheiro. O dinheiro da CCC vem da CDE, o fundo pago pelas contas de luz de todo o país.54 A despesa da CDE com a CCC foi de R$ 12,56 bilhões em 2025, em valores do ano.2 Em 2013, tinha sido de R$ 4,04 bilhões. O gráfico mostra a despesa ano a ano.2

Por habitante. Em 2022, o CPI/PUC-Rio estimou a CCC em mais de R$ 10 bilhões, 250% a mais que em 2013, sem descontar a inflação, e um subsídio de mais de R$ 3 mil por habitante dos Sistemas Isolados.5535

Quando a rede chega, a conta cai. Com a ligação de Roraima à rede nacional, as empresas da linha calculam uma economia de até R$ 540 milhões por ano na CCC.51 A linha tem 724 quilômetros e custou R$ 3,3 bilhões.51

CONTA DE LUZ · CCC R$ 12,56 bi em 2025 A conta da CCC triplicou desde2013Despesa da CDE com a CCC, a conta que cobre a maior partedo custo da energia nos Sistemas Isolados, em bilhões dereais de cada ano (sem descontar a inflação). 4,0 2013 4,7 2014 7,2 2015 6,3 2016 5,1 2017 5,8 2018 6,3 2019 7,5 2020 8,5 2021 12,0 2022 12,0 2023 10,7 2024 12,6 2025 11,4 2026 R$ bilhões 2026: valor do arquivo de outubro; o ano ainda não fechou Fonte: ANEEL, dados abertos, CDE: custeio dos benefícios tarifários (fonte 046), arquivo de outubro de 2026. mundoenergiabrasil.org

O futuro em números

Mais sol e baterias. O leilão de 2025 contratou 50 megawatts para localidades do Amazonas e do Pará, com usinas que juntam diesel, painéis solares e baterias.2356 O Programa Energias da Amazônia já aprovou projetos para 14 localidades.56

Mais rede. Até o fim de 2030, estão previstas outras 16 ligações de Sistemas Isolados à rede nacional.21

Menos diesel. O plano da EPE prevê converter usinas a diesel e a óleo combustível para biocombustíveis, num total de 1,3 gigawatt até 2035, e calcula que as emissões dos Sistemas Isolados caiam 44% no período, sobretudo pela ligação de Boa Vista.2457

Mitos e dúvidas comuns

"Usina a diesel só existe na Amazônia?" Não. Por potência, o estado com mais usinas a óleo e diesel é São Paulo, com 1.112 megawatts em 643 usinas.4 Cerca de 59% da eletricidade gerada a diesel em 2025 veio de empresas que geram a própria energia.30

"Se o Brasil tem tanto petróleo, por que compra diesel de fora?" Porque ter petróleo não basta: é preciso refinar. As refinarias do país não dão conta de todo o diesel que o Brasil usa, e cerca de 23% veio de fora em 2025.44 Veja a seção O Brasil poderia ser autossuficiente em diesel?

"Por que não ligar todas as vilas à rede nacional?" Porque as linhas são longas e caras. A linha que ligou Boa Vista tem 724 quilômetros e custou R$ 3,3 bilhões.51 Para muitas vilas pequenas e distantes, o caminho previsto é produzir a energia ali mesmo, com sol, baterias e menos diesel.2023

Outros impactos

  • Vazamentos. Ao longo da cadeia do petróleo pode haver vazamentos de óleo na extração e no transporte por dutos, caminhões ou embarcações.5
  • Logística na Amazônia. As regras do leilão de 2025 para os Sistemas Isolados exigem um plano de abastecimento de combustível que considere contingências, especialmente eventos climáticos.22
  • Emissões na Amazônia. Ao todo, os Sistemas Isolados emitiram 2,50 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente em 2025, contra 3,28 milhões em 2018.52 Segundo o CPI/PUC-Rio, eles chegaram a emitir o equivalente a 9% do que emitia toda a rede nacional.37

Fontes e método

Ver como os números foram calculados

As informações desta página vêm do Balanço Energético Nacional, do Plano Decenal e do caderno de abastecimento de derivados de petróleo da EPE, do planejamento dos Sistemas Isolados (PASI), de dados abertos da ANEEL e do ONS, de leis, decretos e portarias, de estudos do CPI/PUC-Rio e da consultoria Envol, de material didático sobre motores e refino, e de reportagens identificadas nas notas.

  • Como os números foram calculados. Usinas: cadastro da ANEEL de outubro de 2026, somando diesel, óleo combustível e outros energéticos de petróleo. Donos: a parte de cada empresa é a potência da usina multiplicada pela sua participação. Leilões: soma da potência das usinas a óleo e diesel vendidas em cada leilão de geração, de 2005 a 2025. CCC: item de despesa da CDE. Rede nacional: geração por usina e capacidade do ONS em 2025 (52 usinas), e motivos de despacho de 31 usinas ligadas a esses combustíveis pelo nome; as duas contas têm coberturas diferentes. Mapa: usinas no ponto informado pelo cadastro da ANEEL; as que não têm coordenadas ficam fora.
  • Limites. O número de emissões da Amazônia é a média de todos os Sistemas Isolados, que também usam gás natural e outras fontes. O custo de R$ 2.000 por megawatt-hora é de um estudo encomendado por uma entidade de consumidores; os números do linhão de Roraima são das empresas que o construíram. Os números de importação de 2025 são de levantamento da consultoria StoneX com dados do governo.
  • O que ainda falta. Quantos empregos essas usinas geram, quanto biodiesel vai no diesel das usinas, o custo oficial da energia por megawatt-hora em cada Sistema Isolado e quanto tempo o diesel leva para chegar a cada vila: as fontes usadas não trazem esses dados.

Notas

Ver as 57 notas, com a fonte de cada número
  1. EPE, PASI ciclo 2025, p. 20 (fonte 007). ↩
  2. ANEEL, dados abertos, CDE: custeio dos benefícios tarifários, item da CCC, cálculo sobre os dados (fonte 046). ↩
  3. Lei nº 12.111/2009, art. 3º (fonte 020). ↩
  4. ANEEL, SIGA, dados abertos, cálculo sobre os dados de outubro de 2026 (fonte 008). ↩
  5. EPE, página Fontes de energia, seção Fontes Fósseis (fonte 057). ↩
  6. Engenharia 360, "Guia completo: escolhendo e instalando grupo gerador de energia", 29 de janeiro de 2024 (fonte 338). ↩
  7. CPI/PUC-Rio, Rios de Diesel na Amazônia Legal, maio de 2022, p. 8 e 10 (fonte 320). ↩
  8. GREF/USP, Leituras de Física, Termodinâmica, "Cavalos de aço", p. 78 e 79 (fonte 334). ↩
  9. FCC S.A., Momento Técnico: Diesel, dezembro de 2023, p. 2 e 3 (fonte 333). ↩
  10. Encyclopaedia Britannica, verbete Rudolf Diesel (fonte 335). ↩
  11. InfoEscola, "Refinaria de petróleo", tabela das frações do petróleo (fonte 336). ↩
  12. EPE, PDE 2035, Caderno de Abastecimento de Derivados de Petróleo, 2025, p. 8 (fonte 324). ↩
  13. EPE, PDE 2035, Caderno de Abastecimento de Derivados de Petróleo, 2025, p. 19, sobre a Resolução CNPE nº 8/2025 (fonte 324). ↩
  14. Instituto Acende Brasil, artigo sobre a Conta de Consumo de Combustíveis, abril de 2007 (fonte 321). ↩
  15. ANEEL, dados abertos, resultado de leilões de geração, 2005 a 2025, cálculo sobre os dados (fonte 040). ↩
  16. Medida Provisória nº 466, de 29 de julho de 2009, convertida na Lei nº 12.111/2009 (fonte 331). ↩
  17. Decreto nº 10.221, de 5 de fevereiro de 2020, art. 1º, revogado pelo Decreto nº 11.628/2023 (fonte 332). ↩
  18. EPE, Balanço Energético Nacional 2026, Tabela 5.3, p. 107 (fonte 001). ↩
  19. Poder360, "Governo estoca diesel para garantir geração de energia na Amazônia", 3 de outubro de 2023 (fonte 327). ↩
  20. Decreto nº 11.648/2023, art. 1º, 3º e 5º (fonte 021). ↩
  21. EPE, PASI ciclo 2025, p. 12, 17 e 18 (fonte 007). ↩
  22. MME, Portaria Normativa nº 92/2024, art. 5º e 8º, p. 2 a 4 (fonte 022). ↩
  23. Cenário Energia, "ANEEL homologa Leilão nº 1/2025 e contrata 50 MW para suprimento dos Sistemas Isolados", 9 de dezembro de 2025 (fonte 330). ↩
  24. EPE, Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, p. 95 e 96 (fonte 002). ↩
  25. EPE, Planejamento do Atendimento aos Sistemas Isolados (PASI), ciclo 2025, p. 7, 11, 12, 17, 18, 20 e 21 (fonte 007). ↩
  26. ONS, dados abertos, geração por usina (2025) e capacidade instalada, cálculo sobre os dados (fontes 066 e 009). ↩
  27. ONS, dados abertos, geração térmica por motivo de despacho, 2025, cálculo sobre os dados (fonte 067). ↩
  28. ONS, dicionário de dados da geração térmica por motivo de despacho, p. 3 (fonte 067). ↩
  29. EPE, Balanço Energético Nacional 2026, Tabela 5.3, p. 107, e Tabela I.2, p. 178 (fonte 001). ↩
  30. EPE, Balanço Energético Nacional 2026, Tabelas 5.3 e 5.5, p. 107 e 109 (fonte 001). ↩
  31. Lei nº 12.111/2009, art. 1º (fonte 020). ↩
  32. ABRAGET, apresentação na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados sobre o leilão de reserva de capacidade de 2024 (fonte 337). ↩
  33. Cenário Energia, "Estudo aponta que energia solar com baterias pode reduzir em até 44% o custo da eletricidade na Amazônia", 16 de maio de 2025, sobre estudo da Envol para a FNCE (fonte 329). ↩
  34. eixos, "FNCE critica falta de participação social na reforma do setor elétrico e pede consulta pública", 11 de abril de 2025 (fonte 1325). ↩
  35. CPI/PUC-Rio, Rios de Diesel na Amazônia Legal, maio de 2022, p. 1 (fonte 320). ↩
  36. CPI/PUC-Rio, Rios de Diesel na Amazônia Legal, maio de 2022, ficha técnica (fonte 320). ↩
  37. CPI/PUC-Rio, Rios de Diesel na Amazônia Legal, maio de 2022, p. 11 (fonte 320). ↩
  38. CPI/PUC-Rio, Rios de Diesel na Amazônia Legal, maio de 2022, p. 22 (fonte 320). ↩
  39. CPI/PUC-Rio, Rios de Diesel na Amazônia Legal, maio de 2022, p. 2, 9 e 12 (fonte 320). ↩
  40. EPE, PASI ciclo 2025, p. 6, 12 e 53 (fonte 007); MME, Portaria Normativa nº 92/2024, p. 1 a 3 (fonte 022). ↩
  41. Ember, Global Electricity Review 2025, capítulo "2024 in review" (fonte 325). ↩
  42. Ember, Global Electricity Review 2026, capítulo "2025 in review" (fonte 326). ↩
  43. EPE, PDE 2035, Caderno de Abastecimento de Derivados de Petróleo, 2025, p. 22 e 46 (fonte 324). ↩
  44. EPE, PDE 2035, Caderno de Abastecimento de Derivados de Petróleo, 2025, p. 33 e 38 (fonte 324). ↩
  45. Fecombustíveis, "Importação de diesel pelo Brasil bate recorde em 2025, com aumento de 20%", 9 de janeiro de 2026, com dados do governo e da StoneX (fonte 322). ↩
  46. Agência Brasil, "Rússia lidera venda de diesel ao Brasil durante guerra no Irã", 11 de maio de 2026, com dados do Comex Stat (fonte 323). ↩
  47. EPE, PDE 2035, Caderno de Abastecimento de Derivados de Petróleo, 2025, p. 27 e 35 (fonte 324). ↩
  48. EPE, PDE 2035, Caderno de Abastecimento de Derivados de Petróleo, 2025, p. 12 (fonte 324). ↩
  49. EPE, PDE 2035, Caderno de Abastecimento de Derivados de Petróleo, 2025, p. 46 (fonte 324). ↩
  50. CPI/PUC-Rio, Rios de Diesel na Amazônia Legal, maio de 2022, p. 6 (fonte 320). ↩
  51. O Setor Elétrico, "Um ano após interligação ao SIN, linhão Manaus–Boa Vista reforça segurança energética de Roraima", 14 de setembro de 2026, com dados das empresas (fonte 328). ↩
  52. EPE, PASI ciclo 2025, p. 7, 11, 12, 17, 18, 20 e 21 (fonte 007). ↩
  53. CPI/PUC-Rio, Rios de Diesel na Amazônia Legal, maio de 2022, p. 9 (fonte 320). ↩
  54. Lei nº 10.438/2002, art. 13 (fonte 048). ↩
  55. CPI/PUC-Rio, Rios de Diesel na Amazônia Legal, maio de 2022, p. 12 (fonte 320). ↩
  56. EPE, PASI ciclo 2025, p. 53 (fonte 007). ↩
  57. EPE, Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, p. 395 (fonte 002). ↩