Mundo Energia Brasil

Fontes

Energia nuclear

  • 365diasfoi o tempo que Angra 2 ficou ligada à rede em 2025, sem parar para trocar o combustível; seu fator de capacidade foi de 100,39%.1
  • 3das 4 etapasdo combustível nuclear são feitas no Brasil: só a conversão não é.2
  • Até 26 bilhões de reaispode custar abandonar a obra de Angra 3, segundo a Eletronuclear, mais do que concluí-la.1

Para comparar esta fonte com as outras em segurança, emissões e terra ocupada, veja a página Comparativos.

Como funciona

Vista das usinas Angra 1 e Angra 2, à beira do mar, com morros ao fundo
Usinas Angra 1 e Angra 2, em Angra dos Reis (RJ). Foto: Sturm, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons.

Tudo é feito de átomos, peças tão pequenas que não dá para ver nem com microscópio comum. Alguns átomos, como os do urânio, podem ser partidos em dois. Isso se chama fissão e solta muita energia, na forma de calor.3 A usina nuclear é, no fundo, uma chaleira gigante: usa esse calor para ferver água e fazer vapor, e o vapor gira uma turbina, como numa usina térmica comum. A diferença é que o calor vem do urânio, e não da queima de carvão, gás ou óleo.3

Veja passo a passo

Desenho de uma usina nuclear de água pressurizada: o prédio do reator com o vaso, as barras de controle e o gerador de vapor; a casa de máquinas com a turbina, o gerador e o condensador; o mar que esfria o vapor; e a torre de transmissão. mar prédio do reator barras de controle reator gerador de vapor ~300 °C, sem ferver casa de máquinas turbinagerador condensador vapor 110 mil litros por segundovoltam ~10 °C mais quentes eletricidade urânio + nêutron a barra "engole" nêutrons
1
Desenho do Mundo Energia Brasil, fora de escala, de uma usina de água pressurizada como as de Angra. Os passos seguem o texto acima e as fontes das notas.

Passo a passo, em detalhe

Desenho: um átomo de urânio se partindo em dois pedaços, soltando calor e nêutrons

1. O átomo se parte. Dentro do reator, um nêutron, uma partícula minúscula, bate num átomo de urânio. O átomo se divide em dois pedaços, solta calor e solta novos nêutrons.34

Desenho: o reator com as barras de controle entrando no núcleo

2. Uma reação que se repete, sob controle. Os novos nêutrons partem outros átomos, que soltam mais nêutrons: é a reação em cadeia.4 Para ela não crescer demais, o reator tem barras de controle, feitas de um material que "engole" nêutrons, e ácido bórico dissolvido na água, que faz o mesmo. Para desligar o reator, as barras caem sozinhas, pela gravidade, dentro do núcleo.5

Desenho: a água do circuito primário saindo do reator, a cerca de 300 graus, sem ferver

3. A água do reator esquenta, mas não ferve. A água que passa pelo reator funciona como uma panela de pressão: fica tão apertada que não ferve, mesmo passando de 300 graus. Num reator alemão do mesmo tipo de Angra 2, ela vai de 291 °C a 326 °C. Essa água anda num circuito fechado, o circuito primário.56

Desenho: o gerador de vapor, onde a água do reator esquenta outra água, que vira vapor

4. O calor passa para outra água. A água quente do reator corre por dentro dos tubos do gerador de vapor. Do lado de fora dos tubos há outra água, de outro circuito, que ferve e vira vapor. As duas águas nunca se misturam, e por isso a água que tocou o reator não sai dele.54

Desenho: o vapor girando a turbina, que gira o gerador e manda eletricidade para a torre de transmissão

5. O vapor gira a turbina. O vapor corre pelos canos até a turbina, que gira o gerador e produz a eletricidade que vai para as linhas de transmissão.4

Desenho: o condensador, onde a água do mar esfria o vapor e volta ao mar mais quente

6. O mar esfria o vapor. Depois da turbina, o vapor passa pelo condensador e volta a ser água, que retorna ao gerador de vapor.4 Em Angra, quem esfria esse vapor é a água do mar: as duas usinas puxam cerca de 110 mil litros de água do mar por segundo, que não encostam em nada radioativo e voltam ao oceano cerca de 10 °C mais quentes.6

As usinas brasileiras, Angra 1 e Angra 2, usam esse tipo de reator, o de água pressurizada.1 Há outros tipos: o México usa reatores de água fervente, e a Argentina, reatores de água pesada.7

Como é feito o combustível

Interior da Fábrica de Combustível Nuclear da INB, em Resende
A Fábrica de Combustível Nuclear, em Resende (RJ). Foto: INB.

O combustível nuclear não é líquido nem gás: é feito de pequenas pastilhas de cerâmica de urânio, empilhadas e lacradas dentro de tubos de metal, as varetas.86 Num elemento combustível de Angra 2, são 354 pastilhas em cada vareta e 236 varetas presas numa estrutura de quase cinco metros de altura, que pesa cerca de 780 quilos.9

O reator de Angra 1 tem 121 elementos combustíveis; o de Angra 2, 193. Mais ou menos uma vez por ano, a usina para e troca cerca de um terço deles.10 Um único elemento de Angra 2 produz energia para cerca de 42 mil casas durante um mês, segundo a INB.9

Abra o elemento combustível

1
A pastilhaUma pequena peça de cerâmica feita de urânio enriquecido.
2
A varetaUm tubo de metal lacrado com 354 pastilhas empilhadas.
3
O elemento combustível236 varetas numa estrutura de quase 5 metros e cerca de 780 quilos.
4
O núcleo do reatorEm Angra 2, 193 elementos; em Angra 1, 121.
Desenho do Mundo Energia Brasil, fora de escala: uma vareta tem centenas de pastilhas, e o desenho mostra só algumas. Na recarga, as peças trocadas variam; o desenho só ilustra a proporção de cerca de um terço. Números: Agência FAPESP, com dados da INB (fonte 266), e World Nuclear News (fonte 265).
Saiba mais: por que o combustível dura tanto

O urânio concentra muita energia em pouco material.11 Cada elemento combustível fica cerca de três anos e meio dentro do reator de Angra 2.9 Por isso, a usina não precisa ser abastecida o tempo todo: a troca é feita de uma vez, na parada de recarga.101

Linha do tempo no Brasil

  1. 1956
    É criada a Comissão Nacional de Energia Nuclear, a CNEN.12
  2. 1971
    O Brasil encomenda à americana Westinghouse o reator de Angra 1.127
  3. 1972
    Começa a obra de Angra 1, em Angra dos Reis (RJ).13
  4. 1975
    Acordo com a Alemanha Ocidental prevê oito usinas e todas as fábricas do combustível; só um reator, o de Angra 2, foi entregue.12
  5. 1984
    Começa a obra de Angra 3.14
  6. 1985
    Angra 1 entra em operação comercial, três anos depois de iniciar a primeira reação em cadeia.13
  7. 1986
    A obra de Angra 3 para por falta de dinheiro.15
  8. 1987
    O Brasil anuncia que conseguiu enriquecer urânio.12 No mesmo ano, acontece o acidente com césio-137 em Goiânia, numa fonte de radioterapia, sem relação com usina.16
  9. 1988
    A Constituição dá à União o monopólio das atividades nucleares e só admite seu uso para fins pacíficos.17
  10. 1991
    Brasil e Argentina criam a ABACC, agência que fiscaliza o uso só pacífico da energia nuclear nos dois países.12
  11. 1998
    O Brasil ratifica o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.12
  12. 2001
    Angra 2 entra em operação comercial.18
  13. 2010
    A obra de Angra 3 é retomada.15
  14. 2015
    A obra de Angra 3 para de novo, por falta de financiamento e por investigações de corrupção.15
  15. 2021
    É criada a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), separada da CNEN.19 O governo cria a ENBPar, estatal que fica com o controle da Eletronuclear depois da privatização da Eletrobras.20
  16. 2022
    Nova lei permite que a INB se associe a empresas privadas na mineração de urânio.21 A concretagem de Angra 3 é retomada.15
  17. 2024
    Angra 1 recebe autorização para operar até 2044.1
  18. 2025
    A unidade de armazenamento a seco do combustível usado é autorizada a operar por 40 anos.22 A Eletrobras assina a venda da sua parte na Eletronuclear para a Âmbar, do grupo J&F.23
  19. 2026
    O governo cria um grupo técnico para estudar pequenos reatores nucleares.24
  20. 2031previsto
    Começo da operação da mina de Santa Quitéria (CE), se for licenciada.25
  21. 2033previsto
    Angra 3 operando, no plano da EPE.26

Para que mais serve a energia nuclear

A energia nuclear não serve só para fazer eletricidade.

  • Na saúde. Cerca de 2 milhões de exames e tratamentos com radiofármacos, remédios que levam material radioativo, são feitos por ano no Brasil, segundo a CNEN.27 Eles ajudam a encontrar e tratar câncer e doenças do coração, entre outras.27 O Ipen, em São Paulo, atendia cerca de 85% da demanda da medicina nuclear do país em 2021.28
  • Uma dependência de fora. O material mais usado nesses exames vem do molibdênio-99, que o Brasil importa, porque o reator de pesquisa do Ipen não consegue produzi-lo em grande quantidade.2827 O Reator Multipropósito Brasileiro, planejado em Iperó (SP), é o projeto para o país produzir esse material; em 2021, a obra ainda não tinha começado.28
  • No mar. A Marinha usa o urânio enriquecido em Aramar para o submarino de propulsão nuclear.29
  • Na agricultura. A associação dos técnicos e pesquisadores do setor também cita usos na agricultura.30

Onde o Brasil está

As usinas. Angra 1, com 640 megawatts, e Angra 2, com 1.350, ficam em Angra dos Reis (RJ).1 A capacidade nuclear é a mesma desde 2016.31

Quanto funcionaram. Em 2025, Angra 2 funcionou o ano inteiro, sem parar para trocar o combustível, e bateu seu recorde de geração; Angra 1 parou para recarga e ficou 259 dias ligada à rede. O fator de capacidade, que compara a produção ao máximo possível, foi de 100,39% em Angra 2 e de 69,65% em Angra 1, segundo a Eletronuclear.1

Angra 1. Em 2024, Angra 1 recebeu autorização para operar por 60 anos, até 2044.1

O papel no sistema elétrico

Geração quase contínua. As usinas nucleares funcionam de forma contínua entre as paradas para recarga e manutenção: em 2025, Angra 2 ficou ligada à rede os 365 dias, e Angra 1, 259.1 Em 2025, segundo a classificação do ONS, 84,5% da energia de Angra foi geração inflexível, aquela que a usina declara que precisa fazer, que também seria escolhida pelo custo, e 14,8% foi inflexível fora da ordem de custo.32 Durante um apagão em 2025, a Eletronuclear diz que as usinas mantiveram a operação.1

ANGRA 1 E 2 · 2025 15.808 GWh gerados no ano (soma dos meses) Angra gera perto de 1.400 GWhpor mês, com uma queda deabril a junhoEnergia gerada por Angra 1 e Angra 2 juntas em cada mêsde 2025, em gigawatts-hora (GWh). Em 2025, Angra 2 ficouligada à rede os 365 dias, e Angra 1, 259. 1.357 jan 1.330 fev 1.443 mar 1.026 abr 1.009 mai 981 jun 1.296 jul 1.497 ago 1.449 set 1.494 out 1.449 nov 1.477 dez GWh Fonte: ONS, dados abertos de geração por usina, 2025, somados por mês (fonte 066); dias ligada à rede: Eletronuclear (fonte 075). mundoenergiabrasil.org
ANGRA 1 E 2 · POR QUE GERARAM 84,5% inflexível e também pelo custo Quase toda a energia de Angra é geraçãoque a usina declara que precisa fazerParte da geração nuclear de 2025 em cada classificação do ONS (%).Inflexível: a geração que a usina declara que precisa fazer. Inflexível e também escolhida pelo custo 84,5 % Inflexível fora da ordem de custo 14,8 % Escolhida só pelo custo 0,6 % Fonte: ONS, dados abertos de geração térmica por motivo de despacho, 2025 (fonte 067). mundoenergiabrasil.org

Da mina ao reator

Área de mineração de urânio da INB em Caetité, na Bahia
Mineração de urânio em Caetité (BA). Foto: INB.

Urânio não vira eletricidade do jeito que sai do chão. Entre a mina e o reator há várias etapas, cada uma uma indústria diferente.2 É nessa cadeia, e não na usina, que fica a maior parte das emissões de gases de efeito estufa da nuclear.33

  • 1. Mineração e beneficiamento: a rocha é triturada e tratada até virar um pó amarelo, o concentrado de urânio. No Brasil, isso é feito em Caetité, na Bahia, a única mina de urânio em atividade no país.234
  • 2. Conversão: o concentrado vira um gás, o hexafluoreto de urânio, único estado em que pode ser enriquecido. Essa etapa ainda não é feita no Brasil.2
  • 3. Enriquecimento: aumenta a proporção do tipo de urânio que sustenta a reação, de 0,7%, como é na natureza, para até 5%. O Brasil usa o método de ultracentrifugação, na fábrica da INB em Resende, no Rio de Janeiro.2
  • 4. Fabricação do combustível: o urânio vira pastilhas, que vão em varetas montadas no elemento combustível, também em Resende.2

O caminho do urânio

Esquema do caminho do urânio: sai de Caetité, na Bahia, vai ao exterior para a conversão e parte do enriquecimento, volta a Resende, no Rio de Janeiro, para o enriquecimento e a fabricação do combustível, e chega às usinas de Angra dos Reis. NO EXTERIOR 1 Caetité (BA)mineração 2 Conversãotoda no exterior 3 Parte do enriquecimentono exterior 4 Resende (RJ)enriquecimento e combustível Angra (RJ)usinas 70% do que Angra 1 precisajá é enriquecido em Resende
feito no Brasilfeito no exterior
Esquema do Mundo Energia Brasil, sem escala e sem posição real no mapa. Etapas: INB (fonte 071); conversão e enriquecimento no exterior: World Nuclear News (fonte 268); 70% de Angra 1: Nuclear Engineering International, 2022 (fonte 267).

A ligação com a Marinha. As ultracentrífugas em operação na fábrica da INB foram fabricadas pela Marinha. A Marinha também enriquece urânio em Aramar, em Iperó (SP), para o submarino de propulsão nuclear, que especialistas esperam ver pronto em meados ou no fim da próxima década.29

O que é feito aqui e o que vem de fora

Cascata de ultracentrífugas de enriquecimento de urânio da INB, em Resende
Enriquecimento de urânio em Resende (RJ). Foto: INB.

O que o Brasil faz. A mineração, o enriquecimento e a fabricação do combustível.2 Em 2025, o país produziu 76 toneladas de concentrado de urânio e importou 248 toneladas.35

O enriquecimento ainda não dá conta de tudo. Em 2022, com a décima cascata de centrífugas, a fábrica de Resende passou a atender 70% do urânio enriquecido de que Angra 1 precisa em cada recarga.36 O resto, e o de Angra 2, é enriquecido fora do país.37

A conversão é toda feita fora. Em 2025, a INB contratou, em licitação internacional pelo menor preço, a empresa Internexco, ligada à Rússia, para converter e enriquecer 275 toneladas de concentrado de urânio de Caetité. O urânio vai ao exterior e volta até dezembro de 2027 como gás enriquecido a 4,25%, pronto para virar combustível de Angra.37

O Brasil tem muito urânio. São 167.800 toneladas de recursos identificados que podem ser extraídos a menos de 130 dólares por quilo, segundo o levantamento internacional de 2024, com dados de 2023.38 Esse número caiu cerca de 100.000 toneladas numa reavaliação recente.38 A agência brasileira de mineração diz que só cerca de 25% do território foi pesquisado e fala em potencial de 900 mil toneladas com novas pesquisas, uma expectativa, e não uma reserva comprovada; o texto é de cerca de 2008.39

URÂNIO · 2025 3,3 vezes mais importado que produzido O Brasil importou três vezes mais urânio do que produziu Concentrado de urânio em 2025, em toneladas. 76 Produzido no Brasil 248 Importado toneladas Fonte: EPE, Balanço Energético Nacional 2026, Tabela 2.10 (fonte 001). mundoenergiabrasil.org

O Brasil poderia fazer todo o seu combustível?

O plano para o enriquecimento. A segunda fase da fábrica de Resende, chamada Usina Comercial de Enriquecimento de Urânio, terá 30 cascatas, construídas aos poucos. A INB espera atender toda a necessidade de Angra 1 e 2 até 2033 e a de Angra 3 até 2037.36

Mais urânio. Em Santa Quitéria, no Ceará, a INB e a empresa Galvani Fertilizantes querem tirar urânio e fosfato de uma mesma jazida, a de Itataia, com investimento de cerca de 3 bilhões de reais. O projeto depende de licença do Ibama e prevê começar a operar em 2031. Pesquisadores críticos ao projeto temem a contaminação de rios e de água subterrânea.25

O que falta. A conversão continuaria fora do país: os planos citados acima tratam do enriquecimento e da mineração.3625 [SEM FONTE por enquanto: plano oficial de uma fábrica de conversão no Brasil.]

As leis da energia nuclear e quem as fez

A Constituição. Só a União pode explorar as atividades nucleares, e só para fins pacíficos, com aprovação do Congresso. Quem sofrer dano nuclear não precisa provar culpa para ser indenizado.17

As leis mais recentes, em palavras simples.

  • Lei nº 14.120/2021. Dá ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) o poder de autorizar Angra 3 e o contrato de venda da energia dela, com 40 anos de fornecimento. O custo de Angra 3 será dividido entre todos os consumidores da rede nacional, exceto as famílias de baixa renda, por um adicional na tarifa.40
  • Lei nº 14.222/2021. Cria a ANSN, a agência que regula e fiscaliza a segurança nuclear, separada da CNEN.19
  • Lei nº 14.514/2022. Nasceu de uma medida provisória de agosto de 2022 e foi sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro em 29 de dezembro de 2022. O monopólio da União continua, mas a INB pode contratar empresas privadas para pesquisar, minerar e vender urânio, e quem achar urânio ao minerar outra coisa pode se associar a ela.4121 No Senado, o relator foi o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), que defendeu que a lei atrairia investimento privado. A equipe de transição do governo seguinte classificou a mudança como de "média criticidade", com o risco de empresas privadas ficarem com o controle da mineração.21

Quem representa o setor

O setor nuclear tem empresas estatais e estrangeiras numa mesma associação, uma entidade de técnicos e críticos que publicam estudos. Essas entidades mandam sugestões à ANEEL e ao Ministério de Minas e Energia nas consultas públicas, falam em audiências no Congresso e, às vezes, vão à Justiça. O que elas dizem sobre si mesmas, como o número de associados, é dado da própria entidade.

Empresas do setor

ABDANAssociação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares

Empresas do setor nuclear.

Ver mais

Quem faz parte. Associação de empresas do setor nuclear. Na diretoria e no conselho eleitos em 2026, há estatais, como INB, Nuclep e Amazul, e estrangeiras, como Westinghouse, Framatome e Rosatom.42 A Âmbar, do grupo J&F, entrou nela em 2026 e tem uma cadeira no seu conselho.43

O que defende. Que a nuclear é uma fonte firme e de baixo carbono; seu presidente disse que a lei de 2022 ajudaria o país a buscar a autossuficiência em combustível.4321

Onde aparece. Diz ter como prioridade o diálogo com o governo, o Congresso e os órgãos reguladores.42 Em 2025, foi convidada, com a ABEN, para audiência sobre Angra 3 na Comissão de Minas e Energia da Câmara.44

Pesquisa

ABENAssociação Brasileira de Energia Nuclear

Técnicos e pesquisadores do setor nuclear.

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Quem faz parte. Fundada em 1982, reúne técnicos e pesquisadores do setor nuclear.30 Seu presidente, Carlos Seixas, também preside a Nuclep.44

O que defende. Divulgar os usos pacíficos da energia nuclear, na eletricidade, na medicina, na agricultura e na propulsão naval.30

Onde aparece. Na mesma audiência sobre Angra 3, na Câmara, em 2025.44

Pesquisa

Instituto Escolhas

Instituto de estudos de economia e meio ambiente.

Ver mais

Quem faz parte. Instituto de estudos de economia e meio ambiente, criado em 2015 em São Paulo; entre os fundadores, o economista Marcos Lisboa e Sergio Leitão.45

O que defende. Em estudo de 2020, com a consultoria PSR, disse que a energia de Angra 3 sairia mais cara que as 12 alternativas analisadas; a Eletronuclear contestou o método.46

Onde aparece. Divulga seus estudos na imprensa e no debate público.46

Pesquisa

Observa Urânio

Grupo de pesquisa ouvido sobre a mina do Ceará.

Ver mais

Quem faz parte. Grupo da pesquisadora Lígia Kerr, ouvida pela imprensa do Ceará sobre a mina.25

O que defende. Critica o projeto de Santa Quitéria pelo risco de contaminação de rios e de água subterrânea.25

Onde aparece. Na imprensa do Ceará, no debate sobre a licença da mina.25

Do lado do governo, é o CNPE, conselho de ministros, que decide sobre Angra 3; a CNEN cuida do depósito final de rejeitos; a ANSN, da segurança; a INB, do combustível; e a Eletronuclear opera as usinas.40471921 A página Quem opera explica o papel dos órgãos do setor elétrico.

Quem são os donos

As duas usinas são da Eletronuclear, a única dona de usinas nucleares no cadastro da ANEEL.48 Pela Constituição, as atividades nucleares são monopólio da União.17

Quem manda na Eletronuclear. A empresa tem dois sócios. A União, pela estatal ENBPar, tem 64,1% das ações com direito a voto e por isso controla a empresa. A Eletrobras, que hoje se chama Axia, tem 67,95% do capital total, mas só 35,9% dos votos.49 Em outubro de 2025, ela assinou a venda dessa parte para a Âmbar, empresa do grupo J&F, por 535 milhões de reais. A Âmbar também assume as garantias que a Eletrobras dava às dívidas da Eletronuclear e o compromisso de investir 2,4 bilhões de reais em debêntures.2349 Em outubro de 2026, a venda ainda não estava concluída: o contrato dá até dois anos para isso.49

O combustível. A INB, que faz o combustível, é uma estatal.25

ELETRONUCLEAR · SÓCIOS 64,1% dos votos são da União A União manda na Eletronuclear, mas a Eletrobras tem a maior parte do capital Divisão das ações em outubro de 2026. A parte da Eletrobras (hoje Axia) foi vendida à Âmbar, do grupo J&F, numa venda ainda não concluída. União pela ENBPar Eletrobras/Axia vendida à Âmbar, do grupo J&F Ações com direito a voto 64,1% 35,9% Capital total 32,05% 67,95% Fonte: InvestNews, 15/10/2026 (fonte 275). Capital da União: 100% menos a parte da Eletrobras (cálculo). mundoenergiabrasil.org

O Brasil e o mundo

O mundo tinha 413 reatores nucleares em operação no começo de 2026, segundo a agência internacional de energia atômica, além de 23 parados temporariamente, quase todos no Japão.7 A nuclear fez cerca de 9% da eletricidade do mundo em 2024.50 Esse número já foi de 17,5%, em 1996.7

Os Estados Unidos têm mais reatores (94), e a França é o país que mais depende da nuclear: 67,3% da sua eletricidade em 2024. A China é quem mais constrói: tinha 37 reatores em obras no fim de 2025.50

Na América Latina, só três países têm usinas nucleares: Argentina (3 reatores), México (2) e Brasil (2).750 Em 2024, a nuclear fez 2,3% da eletricidade do Brasil, 4,8% da do México e 7,4% da da Argentina.50

BRASIL E MUNDO · 2024 2,3% da eletricidade do Brasil A nuclear faz 2,3% da eletricidade do Brasil; na França, dois terços Parte da eletricidade de cada país que veio de usinas nucleares em 2024 (%). Países escolhidos: os que mais usam a nuclear e os da América Latina. França 67,3 % Ucrânia 52,0 % Coreia do Sul 31,7 % Suécia 29,1 % Espanha 19,9 % Estados Unidos 18,2 % Rússia 17,8 % Canadá 13,4 % Argentina 7,4 % México 4,8 % China 4,7 % Brasil 2,3 % Fonte: World Nuclear Association, World Nuclear Power Reactors & Uranium Requirements, tabela de dezembro de 2025 (fonte 261). A geração da Ucrânia em 2024 é estimada. mundoenergiabrasil.org

Angra 3

Angra 3 é a usina que o Brasil começou a construir há mais de 40 anos e ainda não terminou. Ela teria 1.405 megawatts, mais que Angra 2.1

Uma obra que para e volta. A obra começou em 1984, parou em 1986 por falta de dinheiro, voltou em 2010 e parou de novo em 2015, por falta de financiamento e por investigações de corrupção da Operação Lava Jato.1514 A concretagem voltou em 2022, mas a obra parou outra vez.157 Em fevereiro de 2025, cerca de 65% dela estava pronta.51

Quanto já custou e quanto falta. A Eletronuclear calculava ter gastado cerca de 12 bilhões de reais até novembro de 2025. Um estudo do BNDES calcula que faltam 23,9 bilhões para terminar.49 Abandonar a obra custaria de 22 a 26 bilhões, para pagar os empréstimos e desmontar o que foi feito.521 Só guardar os equipamentos já comprados custa cerca de 200 milhões de reais por ano, segundo o ministro de Minas e Energia.51

Quanto custaria a energia. Para a usina se pagar, o BNDES calcula que a energia de Angra 3 teria de ser vendida por 778 a 817 reais por megawatt-hora. É bem mais do que a média dos leilões dos últimos 20 anos: cerca de 244 reais para hidrelétricas e 367 para térmicas a gás, em valores corrigidos.52

Quem decide. A decisão é do CNPE, um conselho de ministros. O ministro de Minas e Energia defende terminar a obra.52 Em julho de 2026, o conselho ainda não tinha decidido: só disse não se opor a que bancos públicos analisem suspender por um tempo a cobrança das dívidas da obra.53 O governo disse que a decisão só sairá depois da eleição.52

Os dois lados. Quem defende terminar diz que abandonar custa quase o mesmo que concluir, e que a nuclear dá energia firme, de baixo carbono, ao lado de fontes que dependem da chuva, do vento e do sol.14321 Quem critica diz que a energia sairia cara e que o custo cairia na conta de luz.46

ANGRA 3 · CUSTOS Abandonar Angra 3 custaria quase o mesmo queterminá-laValores informados pela Eletronuclear e pelo BNDES, em bilhões de reais. Abandonarcustaria de 22 a 26 bilhões, para pagar os empréstimos e desmontar a obra. Já gasto, até nov. 2025 12,0 R$ bi Para terminar (estudo do BNDES) 23,9 R$ bi Para abandonar (até) 26,0 R$ bi Fonte: InvestNews, 15/10/2026, com dados da Eletronuclear e do BNDES (fonte 275); Brazil Journal, 6/7/2026 (fonte 282). mundoenergiabrasil.org
ANGRA 3 · PREÇO DA ENERGIA R$ 778 a 817 por MWh para Angra 3 A energia de Angra 3 precisaria custar mais que o dobro da de Angra 1 e 2 Reais por megawatt-hora. Angra 3: de 778 a 817, segundo o BNDES. Leilões: média dos últimos 20 anos, corrigida, segundo a CCEE. Angra 1 e 2: receita fixada pela ANEEL para 2026. Valor ou mínimo, em Angra 3 Até o máximo estudo do BNDES Angra 3, para se pagar (BNDES) 817 R$/MWh Térmicas a lixo urbano, leilões 715 R$/MWh Térmicas a gás, leilões 367 R$/MWh Angra 1 e 2, valor de 2026 362 R$/MWh Hidrelétricas, leilões 244 R$/MWh Fonte: Brazil Journal, 6/7/2026, com dados do BNDES e da CCEE (fonte 282); ANEEL, Resolução Homologatória nº 3.567/2026 (fonte 079). mundoenergiabrasil.org

Acidentes e segurança

Chernobyl. Segundo a OMS, em 1986, dos 600 trabalhadores que estavam na usina na madrugada do acidente, 134 receberam doses muito altas de radiação e 28 morreram nos primeiros três meses. Houve mais de 6.000 casos de câncer de tireoide entre quem era criança ou adolescente nas regiões afetadas, 15 deles fatais até 2005. Para toda a Europa, uma agência ligada à OMS projeta até 16.000 mortes por câncer até 2065; isso é estimativa de modelo, não contagem.54

Os acidentes em números. Um estudo de 2016 reuniu os acidentes de energia de 1950 a 2014. A nuclear teve 172 acidentes e 4.803 mortes, das quais 4.056 atribuídas a Chernobyl, boa parte por estimativa, e 573 a Fukushima. O acidente nuclear típico, nesse levantamento, não matou ninguém: a mediana é zero.55

Goiânia não foi um acidente de usina. Em 1987, uma fonte de césio-137 de um aparelho de radioterapia, abandonado numa clínica em Goiânia, foi aberta. Quatro pessoas morreram, 28 tiveram queimaduras por radiação e 249 foram contaminadas, entre cerca de 112.000 monitoradas; sete casas foram demolidas.16 Foi um acidente radiológico com uma fonte médica, sem reator e sem combustível nuclear. No levantamento da agência internacional de energia atômica sobre acidentes fatais com radiação de 1945 a 1987, em instalações nucleares e em atividades industriais, de pesquisa e médicas (sem contar eventos com pacientes), houve 17 eventos e 59 mortes, e só um, Chernobyl, em usina de energia.16

Quem cuida da segurança. Desde 2021, a ANSN regula e fiscaliza a segurança nuclear e a proteção contra a radiação. É ela que dá as licenças para escolher o local, construir, operar e desmontar uma usina.19

Depois de Fukushima. Angra ganhou um centro de emergência no alto de um morro, com geradores a diesel e reserva de combustível, para manter o resfriamento das usinas mesmo sem energia de fora.6

O plano de emergência. A cada dois anos, a Eletronuclear faz um exercício de emergência em Angra. O de 2025 reuniu cerca de 60 instituições, testou as sirenes e, pela primeira vez, alertas por mensagem de celular, e simulou a retirada de moradores das zonas de planejamento de emergência mais próximas das usinas.56 A única estrada de acesso é a BR-101, sujeita a deslizamentos; quando ela fica bloqueada, a usina pode ser desligada por precaução.6

Quem paga a conta

Angra 1 e 2. Desde 2026, a receita de Angra 1 e 2 é paga por todos os consumidores da rede nacional, exceto as famílias de baixa renda, por um adicional na tarifa.57 Para 2026, a ANEEL fixou essa receita em 4,8 bilhões de reais, o equivalente a 361,56 reais por megawatt-hora.58

Angra 3. Se a usina ficar pronta, a lei já diz que o custo será dividido do mesmo jeito: entre todos os consumidores, exceto os de baixa renda, por um adicional na tarifa, com preço aprovado pelo CNPE.40 O preço que o BNDES calcula para Angra 3 (778 a 817 reais por megawatt-hora) é mais que o dobro do valor fixado para Angra 1 e 2 em 2026.5258

O dinheiro público. Enquanto a obra está parada, alguém paga a conta também. A ENBPar, estatal da União, pôs 3,5 bilhões de reais na Eletronuclear em 2022; esse dinheiro acabou em setembro de 2024, e desde então a Eletronuclear usa a receita de Angra 1 e 2, paga na conta de luz, para as obrigações de Angra 3.49 O governo estuda incentivos e regimes especiais de impostos para baixar a tarifa da usina, o que precisaria passar pelo Congresso.52

Em resumo: o governo decide e dá apoio, mas quem paga, pela tarifa ou pelos impostos, é sempre o cidadão.

Mitos e dúvidas comuns

"O Brasil pode usar a energia nuclear para fazer bomba?" A Constituição só admite atividade nuclear para fins pacíficos, com aprovação do Congresso.17 O Brasil também assinou o Tratado de Não Proliferação e tem, com a Argentina, uma agência que fiscaliza os dois países.12

"Se houver um acidente, alguém tem de provar culpa para ser indenizado?" Não. Pela Constituição, a responsabilidade por danos nucleares não depende de culpa.17

"Angra 3 está quase pronta?" Cerca de 65% da obra estava feita no começo de 2025, e ela está parada.51 Mesmo que fosse retomada logo, o plano da EPE só conta com ela a partir de 2033.26

"A água que volta para o mar é radioativa?" A água do mar usada em Angra só esfria o vapor no condensador e não encosta em material radioativo; ela volta ao mar mais quente.6

O futuro em números

Angra 3. O plano da EPE considera Angra 3 operando a partir de 2033.26 A decisão de terminá-la ainda não foi tomada.5352

Angra 1. Pode operar até 2044.1

Novas usinas. O plano de longo prazo da EPE, o PNE 2050, simulou de 3 a 23 gigawatts de novas usinas nucleares até 2050, conforme os custos; a diretriz do governo da época era chegar a 8 a 10 gigawatts.5960 Isso seria de quatro a cinco vezes a potência de Angra 1 e 2 juntas.1

Pequenos reatores. Em janeiro de 2026, o governo criou um grupo técnico para estudar os pequenos reatores modulares, com menos de 300 megawatts, montados a partir de módulos transportados até o local. O grupo tem 180 dias, prorrogáveis por mais 90, e não significa que algum reator já esteja sendo comprado.24

O combustível. A INB espera fazer todo o urânio enriquecido de Angra 1 e 2 até 2033 e o de Angra 3 até 2037.36

Outros impactos

  • Rejeito. O combustível usado continua radioativo por muito tempo e precisa ser guardado com segurança.3 Em Angra, ele fica em piscinas dentro das usinas e numa unidade de armazenamento a seco, autorizada em 2025 a operar por 40 anos. Os rejeitos de baixo e médio nível ficam em depósitos no próprio local até existir um depósito final licenciado.22 Esse depósito final, o Centena, ainda não existe: em 2024, o TCU apontou que o local não tinha sido escolhido.61 Em novembro de 2025, a CNEN disse ter escolhido um local preferencial no Sudeste e previa começar a obra em 2026 e terminá-la em 2030.47
  • Descomissionamento. Desmontar uma usina nuclear pode levar décadas. A retirada do combustível costuma exigir cerca de 5 anos; a preparação ocorre ao mesmo tempo e geralmente dura de 7 a 9 anos; a desmontagem e a demolição podem passar de 20 anos.62 A Eletronuclear tem um fundo para isso.22
  • Água. As usinas térmicas, inclusive a nuclear, usam muita água para resfriamento.62 Em Angra, é água do mar, que volta ao oceano cerca de 10 °C mais quente e nunca acima de 40 °C.6
  • Mineração. Como o urânio concentra muita energia em pouco material, a área minerada por quilowatt-hora é pequena.11

Fontes e método

Ver como os números foram calculados

As informações desta página partem do site Energia Nuclear no Brasil, do mesmo projeto, e foram conferidas nas fontes primárias: Sovacool e colegas (2016), OMS, agência internacional de energia atômica (relatório sobre Goiânia), UNECE, levantamento internacional de urânio de 2024 (Red Book), INB, agência brasileira de mineração, Eletronuclear, BEN, plano da EPE, ANEEL, CNPE e dados abertos do ONS. Os temas novos vêm também da Constituição e das Leis nº 14.120/2021 e 14.222/2021, de páginas da Eletronuclear, do MME, da CNEN, do TCU e da comissão regulatória dos Estados Unidos (NRC), do glossário da GRS (órgão técnico alemão de segurança nuclear), dos dados da World Nuclear Association e da GRS sobre os reatores do mundo, e de reportagens identificadas nas notas.

  • Como os números foram calculados. Os sócios da Eletronuclear e os valores de Angra 3 são os publicados pelas reportagens citadas, que trazem dados da Eletronuclear, do BNDES e da Eletrobras/Axia; nada foi recalculado. "Quatro a cinco vezes Angra 1 e 2": 8 a 10 gigawatts divididos por 1,99 gigawatt (640 + 1.350 megawatts).
  • Onde os números diferem. Os sócios da Eletronuclear aparecem com pequenas diferenças: a Agência Brasil (outubro de 2025) fala em 64,7% dos votos para a União e 35,3% para a Eletrobras; a InvestNews (outubro de 2026), em 64,1% e 35,9%; esta página usa a mais recente. O custo para terminar Angra 3 foi de 23 bilhões (fevereiro de 2025) a 24 bilhões (julho de 2026), conforme a data da estimativa; o estudo do BNDES fala em 23,9. A data de início de Angra 3 aparece como 1981 em uma reportagem e como 1984 no TCU e na NucNet; esta página usa 1984. A parte de Angra 1 atendida pelo enriquecimento nacional era de 40% em 2016 e passou a 70% em 2022. Os números de temperatura do reator são de reatores alemães do mesmo tipo de Angra 2, e não medidos em Angra. O número de reatores no mundo muda conforme quem conta: 413 em operação pela agência internacional de energia atômica, ou 436 "operáveis" pela World Nuclear Association, que inclui os parados no Japão e na Índia.
  • O que ainda falta. Quantos empregos as usinas e a cadeia do combustível geram; o plano oficial para uma fábrica de conversão no Brasil; dados recentes sobre a obra do Reator Multipropósito; e a data em que a venda da parte da Eletrobras na Eletronuclear será concluída. As páginas atuais da INB não trazem a capacidade de enriquecimento em unidades técnicas. Os números de mortes por terawatt-hora do estudo de 2016 usam outra medida e ficam na página Comparativos. O caso internacional do site nuclear (a lição alemã, com dados do Eurostat) não está no acervo e ficou de fora.

Notas

Ver as 62 notas, com a fonte de cada número
  1. Eletronuclear, Relatório da Administração e de Responsabilidade Social 2025, p. 1, 2, 4, 6, 9, 17 e 18 (fonte 075). ↩
  2. INB, página Ciclo do Combustível Nuclear, p. 1 (fonte 071). ↩
  3. EPE, página Fontes de energia, seção Energia Nuclear (fonte 057). ↩
  4. NRC (Estados Unidos), página "Pressurized Water Reactors" e glossário, verbete "Chain reaction" (fonte 263). ↩
  5. GRS, glossário, verbete "Pressurised water reactor (PWR)" (fonte 262). ↩
  6. Agência Brasil, "À espera de Angra 3, energia nuclear no Brasil quer se mostrar segura", 29 de junho de 2024, republicada pelo Diário do Comércio (fonte 264). ↩
  7. GRS, "Nuclear energy worldwide 2026", 4 de fevereiro de 2026, com dados do PRIS, da IAEA (fonte 260). ↩
  8. Correio da Manhã, "Do minério ao reator: INB domina o ciclo do combustível nuclear", 3 de agosto de 2026 (fonte 289). ↩
  9. Agência FAPESP, "Milésimo elemento nuclear", 4 de maio de 2004, com dados da INB (fonte 266). ↩
  10. World Nuclear News, "INB contracted to supply Angra fuel reloads", 15 de março de 2022 (fonte 265). ↩
  11. UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, p. 18 e 56 (fonte 059). ↩
  12. Wisconsin Project on Nuclear Arms Control, "Brazil's Nuclear Milestones – 1955-2004" (fonte 272). ↩
  13. Eletronuclear, página Informações de Angra 1, tabela de principais eventos (fonte 101). ↩
  14. TCU, "Conclusão de Angra 3 pode custar R$ 25 bilhões", 29 de agosto de 2017, Acórdão 1.786/2017 (fonte 279). ↩
  15. NucNet, "Concreting resumes at delayed Angra 3 nuclear power plant", 15 de novembro de 2022 (fonte 280). ↩
  16. IAEA, The Radiological Accident in Goiânia (1988), p. 14, 21 e 125 (fonte 074). ↩
  17. Constituição Federal, art. 21, XXIII, a e d (fonte 099). ↩
  18. MME, "Angra 2 completa 20 anos de operação comercial", 3 de fevereiro de 2021 (fonte 102). ↩
  19. Lei nº 14.222/2021, art. 1º, 2º e 6º (fonte 100). ↩
  20. Money Times, "País cria estatal para deter Eletronuclear e Itaipu com desestatização da Eletrobras", 13 de setembro de 2021 (fonte 273). ↩
  21. Correio Braziliense, "Espaço para iniciativa privada na exploração de minérios nucleares gera debate", 6 de fevereiro de 2023 (fonte 271). ↩
  22. Eletronuclear, Relatório da Administração e de Responsabilidade Social 2025, p. 6, 16 e 17 (fonte 075). ↩
  23. Agência Brasil, "Eletrobras vende participação na Eletronuclear para o Grupo J&F", 15 de outubro de 2025 (fonte 274). ↩
  24. Cenário Energia, "Governo cria grupo técnico para avaliar viabilidade de pequenos reatores nucleares (SMRs) no Brasil", 7 de janeiro de 2026 (fonte 284). ↩
  25. O POVO+, "Funai revê relatório sobre Projeto Santa Quitéria", 23 de agosto de 2026 (fonte 269). ↩
  26. EPE, Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, nota 11, p. 72 (fonte 002). ↩
  27. CNEN, página "RMB: os avanços para a saúde pública no Brasil", 2021 (fonte 287). ↩
  28. Revista Pesquisa FAPESP, nº 309, novembro de 2021, "Radiofármacos sob ameaça" (fonte 286). ↩
  29. Revista Pesquisa FAPESP, nº 354, agosto de 2025, "Brasil dá mais um passo na construção do submarino nuclear" (fonte 106). ↩
  30. Cenário Energia, "Carlos Seixas assume presidência da ABEN com compromisso de aproximar sociedade da energia nuclear", 17 de janeiro de 2025 (fonte 277). ↩
  31. EPE, Balanço Energético Nacional 2026, Tabela 5.3, p. 107, e Tabela I.2, p. 178 (fonte 001). ↩
  32. ONS, dados abertos, geração térmica por motivo de despacho, 2025, cálculo sobre os dados (fonte 067). ↩
  33. UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, p. 17 e 59 (fonte 059). ↩
  34. INB, página Produção de urânio, p. 1 (fonte 072). ↩
  35. EPE, Balanço Energético Nacional 2026, Tabela 2.10, p. 45 (fonte 001). ↩
  36. Nuclear Engineering International, "INB completes first stage of uranium enrichment plant", 29 de novembro de 2022 (fonte 267). ↩
  37. World Nuclear News, "Brazil's INB signs contract with Internexco GmbH for conversion and enrichment of uranium", 14 de março de 2025 (fonte 268). ↩
  38. OECD-NEA e IAEA, Uranium 2024 (Red Book), p. 23 e Table 1.2a, p. 24 (fonte 070). ↩
  39. ANM, Economia Mineral do Urânio, p. 4 (fonte 073). ↩
  40. Lei nº 14.120/2021, art. 10 (fonte 283). ↩
  41. Mattos Filho, "Monopólio da União sobre minerais nucleares é flexibilizado", 18 de agosto de 2022, sobre a MP nº 1.133/2022 (fonte 270). ↩
  42. Cenário Energia, "ABDAN reconduz Celso Cunha à presidência e reforça coalizão industrial até 2028", 3 de março de 2026 (fonte 1332). ↩
  43. Cenário Energia, "Âmbar Energia consolida entrada no setor nuclear e reforça protagonismo com associação à ABDAN", 4 de março de 2026 (fonte 276). ↩
  44. Cenário Energia, "Angra 3 volta ao centro do debate: Câmara convoca ministros para esclarecer impasse sobre usina nuclear", 10 de abril de 2025 (fonte 1333). ↩
  45. On Think Tanks, perfil do Instituto Escolhas, consultado em outubro de 2026 (fonte 1334). ↩
  46. eixos, "Energia gerada por Angra 3 poderá ser 218% mais cara que alternativa a gás, conclui estudo do Instituto Escolhas", 19 de maio de 2020, com a resposta da Eletronuclear (fonte 278). ↩
  47. World Nuclear News, "Brazil aims to start construction of Centena repository in 2026", 21 de novembro de 2025, com resposta da CNEN (fonte 104). ↩
  48. ANEEL, SIGA, dados abertos, cálculo sobre os dados de outubro de 2026 (fonte 008). ↩
  49. InvestNews, "Um ano depois, aposta nuclear dos irmãos Batista segue sem desfecho", 15 de outubro de 2026 (fonte 275). ↩
  50. World Nuclear Association, World Nuclear Power Reactors & Uranium Requirements, tabela de dezembro de 2025 (fonte 261). ↩
  51. Poder360, "Conclusão de Angra 3 é adiada novamente pelo governo", 18 de fevereiro de 2025 (fonte 281). ↩
  52. Brazil Journal, "Decisão sobre Angra 3 só depois da eleição", 6 de julho de 2026, com dados do BNDES e da CCEE (fonte 282). ↩
  53. CNPE, Resolução nº 14/2026, art. 1º, p. 1 (fonte 078). ↩
  54. OMS, Chernobyl: perguntas e respostas, p. 1 (fonte 077). ↩
  55. Sovacool et al., Journal of Cleaner Production 112 (2016), Tables 2, 3 e 4, p. 4 a 8 (fonte 076). ↩
  56. IstoÉ Dinheiro, "Eletronuclear faz exercício bianual de segurança de usinas Angra 1 e 2 com estreia da ANSN", 29 de setembro de 2025 (fonte 105). ↩
  57. Lei nº 12.111/2009, art. 11-A (fonte 020). ↩
  58. ANEEL, Resolução Homologatória nº 3.567/2026, art. 1º e 2º, p. 1 e 2 (fonte 079). ↩
  59. eixos, reportagem sobre a consulta pública do PNE 2050, 14 de julho de 2020 (fonte 288). ↩
  60. CNN Brasil, "Convênio busca locais para a instalação de novas usinas nucleares no Brasil", 15 de janeiro de 2022 (fonte 285). ↩
  61. TCU, "Centro Tecnológico Nuclear e Ambiental ainda não possui local para a sua implantação", 13 de maio de 2024, Acórdão 898/2024 (fonte 103). ↩
  62. UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, p. 18 e 101 (fonte 059). ↩