3.048megawattsé a potência das 12 usinas a carvão mineral em operação no Brasil em outubro de 2026, e não há nenhuma em construção.1
12,7bilhões de reaisforam pagos pela CDE, um fundo cobrado nas contas de luz, para o carvão das usinas de 2013 a 2025, em valores de cada ano.2
2040é o anoaté quando a lei garante a contratação de usinas a carvão nacional no país.34
Para comparar esta fonte com as outras em segurança, emissões e terra ocupada, veja a página Comparativos.
Como funciona
Complexo termelétrico de Candiota (RS). Foto: Ryan Garcia, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons.
Pense numa chaleira gigante. Numa usina a carvão, o fogo do carvão ferve água, e o vapor dessa água faz girar uma roda de pás, a turbina. A turbina está presa a um gerador, que transforma o giro em eletricidade.56 A ideia é a mesma de quase toda usina térmica: o que muda é o que se queima para fazer o fogo.
Veja passo a passo
1
Desenho do Mundo Energia Brasil, fora de escala. Os passos seguem o texto abaixo e as fontes das notas 5 a 9.
Passo a passo, em detalhe
1. O carvão sai da mina. O carvão é uma pedra preta que queima. Ele se formou há mais de 200 milhões de anos, com restos de florestas e pântanos que ficaram enterrados.5 É tirado da terra em minas, a céu aberto ou em túneis, e no Brasil fica sobretudo na região Sul.57
2. Vira pó no moinho. Na maioria das usinas, o carvão é moído até virar um pó fino, como farinha.8
3. O fogo ferve a água. O pó de carvão queima na caldeira, uma grande fornalha cheia de tubos com água. O fogo ferve essa água sob pressão alta, e ela vira vapor.86
4. O vapor gira a turbina. O vapor sai da caldeira com muita força e empurra as pás da turbina, que gira como um cata-vento. O eixo da turbina faz girar o gerador, e o gerador produz a eletricidade.6
5. O vapor vira água de novo. Depois da turbina, o vapor passa pelo condensador, onde é esfriado por outra água, e volta a ser líquido. Essa água é bombeada de volta para a caldeira, e o ciclo recomeça. A água que esfria o condensador também se aquece.6
6. A fumaça é limpa e a energia segue. Antes de sair pela chaminé, a fumaça passa por filtros que retiram a maior parte das partículas e do enxofre.8 Sobra a cinza, a parte do carvão que não queima. A eletricidade vai para as linhas de transmissão e chega às cidades.95
O carvão brasileiro tem muita cinza: segundo a EPE, o carvão vapor produzido no país tem de 20% a 54% de cinza, a parte que não queima.9 As usinas do Sul ficam perto das minas.1 As do Nordeste ficam em portos e usam carvão que chega de navio.1011
Saiba mais: os tipos de carvão
O carvão começa como restos de plantas. Com o tempo, terra e rocha cobrem esses restos, e o calor e a pressão os transformam em carvão.12 Quanto mais calor e pressão, mais carbono o carvão tem e mais energia ele dá. Do mais fraco para o mais forte: o linhito tem de 25% a 35% de carbono, o sub-betuminoso de 35% a 45%, o betuminoso de 45% a 86% e o antracito de 86% a 97%.12 O carvão que vai para as usinas é chamado de carvão vapor. O que vai para as siderúrgicas, para virar coque e fazer aço, é o carvão metalúrgico.13
Linha do tempo no Brasil
1795
Técnicos ingleses que construíam ferrovias encontram carvão no Rio Grande do Sul, perto do rio Jacuí.14
1965
Começa a funcionar a primeira parte do Complexo Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo, Santa Catarina.1
1990
O fim das regras que obrigavam a siderurgia a usar carvão nacional encerra o uso do carvão brasileiro na fabricação de aço.14
1993
O Ministério Público Federal entra na Justiça para cobrar a recuperação das áreas estragadas pela mineração no sul de Santa Catarina, a ACP do Carvão.15
2005
O carvão entra no primeiro leilão de energia nova, com a usina Candiota III, de 350 megawatts.16
2007
Ano recorde do carvão nos leilões: as futuras usinas Porto do Pecém I, no Ceará, e Porto do Itaqui, no Maranhão, somam 1.050 megawatts.16
2012
Começa a operar Porto do Pecém I, a maior usina a carvão do país.1
2014
Último leilão com carvão registrado pela ANEEL até 2025: a usina Pampa Sul, no Rio Grande do Sul.16
2022
Uma lei cria o programa de transição energética justa para a região carbonífera de Santa Catarina.17
2025
Uma nova lei manda contratar usinas a carvão nacional até 2040.34 O Ibama arquiva o pedido de licença da usina Ouro Negro, de 600 megawatts, no Rio Grande do Sul, o último projeto de usina a carvão no país.18
2026
Três usinas a carvão importado, Pecém I, Pecém II e Itaqui, vendem energia num leilão do governo que paga para ter usinas prontas para gerar.11
2027previsto
Termina o prazo da CDE para pagar o carvão nacional usado nas usinas.19
2040previsto
Termina a contratação garantida pela lei de 2025, e a lei de 2022 prevê o provável fim da geração a carvão sem captura de carbono em Santa Catarina.317
Para que o Brasil usa o carvão
A maior parte do carvão usado no Brasil não vai para as usinas de eletricidade. Vai para as fábricas, principalmente as de aço.2021
O carvão vapor é o mais comum. Em 2025, o Brasil usou 13,6 milhões de toneladas dele. Pouco mais da metade, 7,3 milhões de toneladas, foi queimada nas usinas para gerar eletricidade. O resto foi para as indústrias: siderurgia, fábricas de alumínio e de outros metais, indústria química, pelotização de minério de ferro e cimento.20
O carvão metalúrgico vai todo para as coquerias, onde vira coque, o combustível dos altos-fornos que fazem ferro e aço. Em 2025, foram 10,1 milhões de toneladas.21
Somando tudo, carvão mineral e coque eram 4,5% da energia usada no Brasil em 2025.22 Na eletricidade, o carvão gerou 11.184 gigawatts-hora, cerca de 1,4% de toda a eletricidade produzida no país.23
Usinas de indústrias. Das 12 usinas a carvão, quatro pertencem a indústrias: a da Alunorte, que faz alumina no Pará, a do consórcio de alumínio Alumar, no Maranhão, uma siderúrgica em Minas Gerais e uma unidade da Sadia em Santa Catarina. As duas maiores, Alunorte e Alumar, são de autoprodução: geram energia para a própria fábrica.1 Algumas siderúrgicas também geram eletricidade queimando o gás que sai dos altos-fornos. O cadastro as conta à parte: as maiores são a da Ternium, no Rio de Janeiro (490 megawatts), a da ArcelorMittal Pecém, no Ceará (218), e a da Gerdau Açominas, em Minas Gerais (102,9).1
O que é daqui e o que vem de fora
Daqui. O Brasil produziu 6,8 milhões de toneladas de carvão vapor em 2025.20 As reservas somam cerca de 32 bilhões de toneladas.24 O Rio Grande do Sul tem 89% delas e 53% da produção, segundo estudo citado pela Agência Brasil.25 A maior jazida é a de Candiota, perto da fronteira com o Uruguai, onde o carvão tem cerca de 52% de cinza.2614
De fora. No mesmo ano, o país importou 5,2 milhões de toneladas de carvão vapor e 10,0 milhões de toneladas de carvão metalúrgico. O Brasil não produz carvão metalúrgico: todo o que usa é importado.2021 Somando os dois tipos, cerca de sete em cada dez toneladas de carvão que entraram na economia brasileira em 2025 vieram de fora.2021
Nas usinas. As usinas do Sul queimam carvão das minas próximas; a CDE só ajuda a pagar o carvão nacional.19 As usinas do Ceará e do Maranhão, Pecém I, Pecém II e Itaqui, usam carvão importado, que chega de navio, principalmente da Colômbia.1011 Mesmo assim, segundo a EPE, o carvão usado na geração de eletricidade é, na maior parte, nacional.13
As leis do carvão e quem as fez
Duas leis recentes decidem o futuro das usinas a carvão.
A lei de 2022, para Santa Catarina. O projeto (PL 712/2019) foi apresentado pelo senador Esperidião Amin (PP-SC) e tratava de outro assunto: a conta de luz de pequenas distribuidoras.2728 Na Câmara, a relatora, deputada Geovania de Sá (PSDB-SC), aceitou uma emenda do deputado Ricardo Guidi (PSD-SC) que incluiu o carvão. A Câmara aprovou o texto em 13 de dezembro de 2021, e o Senado, com o senador Jorginho Mello (SC) como relator, em 16 de dezembro.2928 A Lei nº 14.299 foi sancionada em 5 de janeiro de 2022.17
O que ela diz, em palavras simples:
Mais 15 anos para Jorge Lacerda. A autorização do complexo foi prorrogada por 15 anos a partir de janeiro de 2025.30
Energia de reserva. O governo contrata a energia do complexo como energia de reserva, numa quantidade ligada à compra mínima de carvão catarinense; pelo menos 80% do carvão tem de vir de Santa Catarina.1729
Transição justa. Um conselho, com governo, prefeituras, empresas e trabalhadores, prepara a região para o provável fim, até 2040, da geração a carvão sem captura de carbono.17
A lei de 2025, para todo o país. A Lei nº 15.269, de novembro de 2025, que reformou várias regras do setor elétrico, criou um artigo para o carvão.4 Ele manda contratar, como reserva de capacidade, as usinas a carvão nacional que recebiam a ajuda da CDE ou que tinham contratos de venda de energia terminando até 2028. Os contratos vão até 31 de dezembro de 2040, e as outorgas dessas usinas podem ser prorrogadas por 25 anos.3 O Ministério do Meio Ambiente tinha recomendado o veto a esse ponto; o Ministério de Minas e Energia o defendeu.4
Saiba mais: o que é "reserva de capacidade"
É um contrato em que o governo paga para ter uma usina pronta para gerar quando o sistema precisar, como um seguro. No caso das usinas a carvão, a usina recebe uma parte fixa, mais um valor pela energia que gerar.3 O custo é dividido entre todos os consumidores ligados ao sistema interligado.31 A página Leilões explica esse tipo de contrato.
Quem representa o setor
O carvão tem empresas, sindicatos de patrões e de mineiros, e ambientalistas que querem o fim dos benefícios a ele. Essas entidades mandam sugestões à ANEEL e ao Ministério de Minas e Energia nas consultas públicas, falam em audiências no Congresso e, às vezes, vão à Justiça. O que elas dizem sobre si mesmas, como o número de associados, é dado da própria entidade.
Empresas do setor
ABCSAssociação Brasileira do Carbono Sustentável
Empresas do carvão mineral (antiga ABCM).
Ver mais
Quem faz parte. Antiga Associação Brasileira do Carvão Mineral (ABCM), que trocou de nome em 202432; diz representar as empresas de carvão do país.25 É presidida por Fernando Zancan.33
O que defende. A manutenção da cadeia do carvão; diz que o dinheiro da CDE não é subsídio, e sim um mecanismo para manter essa cadeia.34 Defende que o carvão segue necessário para garantir a energia e que o debate deve ser cortar emissões, com usinas mais eficientes e captura de carbono, e não eliminar fontes.33
Onde aparece. Na consulta pública do Ministério sobre o leilão de 2026, disse que pediria mudanças nas regras de flexibilidade das usinas a carvão.35 Faz parte do conselho da transição justa.17 Em 2022, defendeu levar a outros estados as regras de transição de Santa Catarina.36
Empresas do setor
Siecesc
Mineradoras de carvão de Santa Catarina.
Ver mais
Quem faz parte. Sindicato das empresas de extração de carvão de Santa Catarina.17
O que defende. Faz parte do conselho da transição justa.17
Onde aparece. No conselho do Programa de Transição Energética Justa, criado pela lei de 2022, que reúne ministérios, o governo e os municípios carboníferos de Santa Catarina, a associação e o sindicato das empresas do carvão e a federação dos mineiros, sem nenhuma entidade ambientalista.1736
Trabalhadores
Federação dos trabalhadores na extração do carvão do Sul
Onde aparece. Foi à Justiça contra a licença de Candiota III3435; fez, com o CREA, o estudo sobre a poluição em Candiota25; em 2025, moveu cinco ações contra um leilão de áreas de petróleo e gás da ANP.37
O nome novo da antiga ABCM foi criticado por ambientalistas, para quem não existe carvão sustentável.32
Quem são os donos
As 12 usinas a carvão aparecem no cadastro da ANEEL em nome de 10 empresas.1 Mas muitas delas são empresas criadas só para uma usina, e por trás delas há poucos grupos. De 2021 a 2026, quase todas as grandes usinas a carvão trocaram de dono, e empresas como Engie, Eletrobras, EDP e Eneva saíram do carvão.3839404142
Diamante Geração de Energia. Comprou o Complexo Jorge Lacerda, em Santa Catarina, da Engie em 2021.38 Depois, comprou Porto do Pecém I, no Ceará, em 202541 e Porto do Pecém II, da Eneva, em agosto de 2026.1042 Em setembro de 2026, acertou com a Eneva a compra de Porto do Itaqui, no Maranhão, que ainda dependia da aprovação do Cade, o órgão que analisa concentração de mercado.42
Âmbar Energia, do grupo J&F. Comprou Candiota III, no Rio Grande do Sul, da Eletrobras em 2023.40
Fundos das gestoras Starboard e Perfin. Compraram Pampa Sul, também em Candiota, da Engie, num contrato assinado em 2022.39
Indústrias. As usinas da Alunorte, da Alumar, de uma siderúrgica mineira e da Sadia geram para as próprias fábricas.1
Somando as compras, a Diamante tem cerca de 60% da potência a carvão do país; com Itaqui, passa de 70%.142
Onde ficam as usinas
As usinas a carvão estão em dois lugares bem diferentes. No Sul, ficam perto das minas: o Complexo Jorge Lacerda, em Santa Catarina, e Candiota III e Pampa Sul, no Rio Grande do Sul.1 No Nordeste, ficam nos portos, onde chega o carvão importado: Pecém I e II, no Ceará, e Itaqui, no Maranhão.110
O mapa abaixo mostra as 12 usinas. Cada círculo é uma usina, maior onde há mais potência. Toque ou passe o mouse sobre um círculo para ver o nome, a potência e o dono.
O mapa das usinas a carvão
Carvão nacionalCarvão importadoUsina de indústriacírculo maior = mais potência
Usinas a carvão mineral em operação no cadastro da ANEEL (SIGA, fonte 008), outubro de 2026. Donos segundo notícias de 2021 a 2026 (fontes 295 a 300). Toque num círculo ou num nome para ver os detalhes.
Como mudou. De 2016 para 2025, a geração a carvão caiu cerca de 34%, e a capacidade, cerca de 9%.23
O carvão no sistema elétrico
O ONS, que comanda as usinas do país, chama de "inflexível" a energia que uma usina declara que precisa gerar de qualquer jeito, por exemplo por contrato ou por limites técnicos. O resto ela gera quando o ONS a escolhe, em geral pelo custo.43
Por que geram. Em 2025, 33,5% da energia das usinas a carvão foi inflexibilidade fora da ordem de custo, 13,1% inflexibilidade que também seria escolhida pelo custo e 25,6% geração escolhida só pelo custo. Outros 15,6% foram exportados para países vizinhos.4443
Quando geram. A geração a carvão muda muito ao longo do ano: em 2025, foi de 306 gigawatts-hora em janeiro a 1.435 em novembro.45
A saúde e o ambiente
A mineração deixa marcas. No sul de Santa Catarina, cerca de 26,5 mil hectares foram diretamente atingidos pela mineração de carvão, e mais de 1.200 quilômetros de rios foram contaminados pela água ácida das minas, segundo o Ministério Público Federal. A ACP do Carvão, de 1993, cobra a recuperação dessas áreas.15
O ar perto das usinas. A queima do carvão solta partículas finas, enxofre e outros poluentes. As usinas modernas têm filtros que retiram a maior parte deles.8 Um estudo de 2026 do centro de pesquisa CREA e do Instituto Arayara, sobre as minas e usinas de Candiota, associou a poluição dessas atividades a 430 mortes entre 2017 e 2025 e projetou outras 870 até 2040, com R$ 11,7 bilhões em custos de saúde.25 A ABCS, que representa o setor, respondeu que as emissões das usinas a carvão são monitoradas em tempo real, dentro dos limites fixados pelas autoridades.25
Quem paga a conta
Lembra da CDE? É um fundo pago por todos os consumidores, dentro da conta de luz. Desde 2002, ela ajuda a pagar o carvão nacional queimado nas usinas que se enquadram na lei, até 2027.19
Quanto custou. Essa despesa foi de R$ 1,0 bilhão em 2013, caiu para R$ 0,7 bilhão em 2019 e 2020 e voltou a R$ 1,2 bilhão em 2024 e 2025, em valores de cada ano. De 2013 a 2025, somou R$ 12,7 bilhões.2 A página Tarifa explica a CDE.
O que muda. Com os contratos de reserva das leis de 2022 e de 2025, as usinas deixam de receber o reembolso da CDE pelo carvão e passam a receber pelo contrato de reserva, cujo custo também é dividido entre os consumidores.29331
Os dois lados. O setor do carvão diz que o dinheiro mantém uma cadeia produtiva e empregos no Sul.34 Os críticos dizem que os consumidores pagam para manter uma fonte poluente e pedem o fim desses benefícios.34
Empregos
Cerca de 4,4 mil empregos diretos e 9,5 mil indiretos estavam ligados às usinas a carvão, segundo estudo do DIEESE e do WWF de 2021.46 Uma pesquisa do DIEESE ouviu trabalhadores e moradores de cidades do carvão: Candiota, no Rio Grande do Sul, e Capivari de Baixo, Lauro Müller, Treviso e Siderópolis, em Santa Catarina.46
O Brasil e o mundo
No mundo, o carvão ainda é uma das maiores fontes de eletricidade. Em 2025, ele produziu 33,0% da eletricidade do planeta. Foi a primeira vez que caiu abaixo de um terço, e as renováveis, com 33,8%, passaram o carvão.47 No Brasil, a parte do carvão foi de cerca de 1,4%.23
O mundo usou 8,85 bilhões de toneladas de carvão em 2025, um recorde; mais da metade foi na China.48 O mundo ligou 97 gigawatts de novas usinas a carvão em 2025, o máximo em dez anos, e a China ficou com 78 deles. Mesmo assim, a geração a carvão no mundo caiu 0,6%.49
Mitos e dúvidas comuns
"O Brasil usa muito carvão para gerar luz?" Não. O carvão gerou cerca de 1,4% da eletricidade do país em 2025.23 A maior parte do carvão usado no Brasil vai para a indústria, principalmente a do aço.2021
"Todo o carvão das usinas é brasileiro?" Não. As usinas do Sul usam carvão nacional, e as do Ceará e do Maranhão usam carvão importado, principalmente da Colômbia.1011
"Se a usina fecha, o problema acaba?" Não. As áreas de mineração precisam ser recuperadas, e no sul de Santa Catarina essa recuperação é cobrada na Justiça desde 1993.15
"Dá para queimar carvão sem soltar gás carbônico?" Em parte. Capturar e guardar o gás carbônico no subsolo poderia cortar cerca de 60% das emissões por quilowatt-hora, gastando mais carvão.50 O plano da EPE diz que o custo dessa captura deixa as usinas pouco competitivas nos próximos dez anos.51
O futuro em números
O plano da EPE. O Plano Decenal de Energia 2035 não prevê nenhuma usina a carvão nova.52 Ele mantém o Complexo Jorge Lacerda funcionando em todo o período, por causa da lei de 2022.52 E previa a saída de Pecém I em julho de 2027, de Itaqui em dezembro de 2027 e de Pecém II em agosto de 2028, quando acabassem seus contratos.53
O que mudou depois. No leilão de reserva de capacidade de março de 2026, essas três usinas venderam potência de novo.11 Pecém I tem contrato de 2027 a 2037, e Pecém II, um contrato de dez anos a partir de agosto de 2031.10 Candiota III, sem contrato desde o fim de 2024, não estava entre as vencedoras; a dona tinha dito que as regras do leilão tornavam a participação da usina inviável.3511
2040. É o ano final dos contratos da lei de 2025 e o ano do provável fim, previsto em lei, da geração a carvão sem captura de carbono em Santa Catarina.317
Outros impactos
Mineração. O carvão ocupa terra principalmente nas minas, a céu aberto ou subterrâneas.7 A extração tem de ser feita com cuidado para a chuva não levar resíduos para os rios, e exige atenção à saúde dos trabalhadores.5
Cadeia do combustível. Nas usinas estudadas pela UNECE, a queima responde pela maior parte das emissões de gases de efeito estufa; a cadeia do combustível, da mina à usina, responde por 10% a 15%.54
Água. A usina usa água para esfriar o vapor no condensador, e essa água sai aquecida.6
Fontes e método
Ver como os números foram calculados
As informações desta página vêm do Balanço Energético Nacional e do Plano Decenal da EPE, de dados abertos da ANEEL e do ONS, das Leis nº 10.438/2002, 14.299/2022 e 15.269/2025, da página da EPE sobre fontes de energia, da UNECE, da agência de energia dos Estados Unidos (EIA), do Ember, da IEA, de material didático da USP, de artigo da revista Estudos Avançados, de estudo do Serviço Geológico do Brasil, do DIEESE, do Ministério Público Federal e de reportagens identificadas nas notas.
Como os números foram calculados. Usinas, potência, estados e donos no cadastro: SIGA da ANEEL de outubro de 2026, fonte "Carvão Mineral", fase "Operação". Grupos donos: a partir de reportagens sobre as vendas (as usinas continuam no cadastro em nome das empresas de cada usina). Parte da Diamante: Jorge Lacerda, Pecém I e Pecém II (1.820 megawatts) e, com Itaqui, 2.180 megawatts, sobre 3.048. CDE: item de despesa "Carvão Mineral" de 2013 a 2025. Usos: Tabelas 2.4 e 2.5 do BEN. "Sete em cada dez toneladas": importações de carvão vapor e metalúrgico divididas pela soma delas com a produção nacional. Parte na eletricidade: geração a carvão vapor dividida pela geração total do BEN (Tabela 5.3). Como mudou: geração (17.001 gigawatts-hora em 2016 e 11.184 em 2025) e capacidade (3.389 e 3.086 megawatts) do BEN. Motivos de geração: registros de 2025 do ONS das usinas a carvão. Leilões: usinas a carvão vendidas nos leilões de geração de 2005 a 2025.
Onde os números diferem. O BEN conta 3.086 megawatts de capacidade a carvão no fim de 2025; o cadastro da ANEEL de outubro de 2026, 3.048. O BEN diz que a demanda de carvão para gerar eletricidade caiu 3,0% em 2025, mas suas tabelas mostram aumento; esta página usa os números das tabelas. A reportagem sobre o leilão de 2026 dá potências diferentes para as usinas a carvão na lista e no texto; por isso a página não cita esses números. O estudo sobre a saúde em Candiota é de uma organização ambientalista e de um centro de pesquisa, e o setor contesta suas conclusões.
O que ainda falta. De onde vem cada tonelada de carvão importado (o Comex Stat, do governo, não foi consultado diretamente), o valor da receita fixa dos contratos de reserva e a situação de Candiota III depois de 2025. Fotos das minas e das usinas do Nordeste.
Notas
Ver as 54 notas, com a fonte de cada número
ANEEL, SIGA, dados abertos, cálculo sobre os dados de outubro de 2026 (fonte 008). ↩
ANEEL, dados abertos, CDE: custeio dos benefícios tarifários, item de despesa "Carvão Mineral", 2013 a 2025, cálculo sobre os dados (fonte 046). ↩
Lei nº 10.848/2004, art. 3º-D, incluído pela Lei nº 15.269/2025, art. 9º, texto consolidado em Juruá Docs (fonte 291). ↩
eixos, Nayara Machado, "Passada a COP, carvão ganha prorrogação no Sul", 25 de novembro de 2025 (fonte 290). ↩
eixos, "Ibama arquiva último projeto de usina a carvão mineral no país", 10 de novembro de 2025 (fonte 305). ↩
Lei nº 10.438/2002, art. 13, V, §§ 4º, 4º-A e 7º (fonte 048). ↩
EPE, Balanço Energético Nacional 2026, Tabela 2.4, p. 43 (fonte 001). ↩
EPE, Balanço Energético Nacional 2026, Tabela 2.5, p. 44 (fonte 001). ↩
EPE, Balanço Energético Nacional 2026, Tabela 1.3.b, p. 19 (fonte 001). ↩
EPE, Balanço Energético Nacional 2026, Tabela 5.3, p. 107, e Tabela I.2, p. 178, cálculo sobre os dados (fonte 001). ↩
EPE, Balanço Energético Nacional 2026, Tabela 6.4, p. 126 (fonte 001). ↩
Agência Brasil, Rafael Cardoso, "Minas e usinas de carvão podem causar 1,3 mil mortes até 2040, diz estudo", 25 de março de 2026, sobre estudo do CREA e do Instituto Arayara (fonte 302). ↩
CPRM (Serviço Geológico do Brasil), "Modelagem 3D e estimativa de recursos da jazida de Candiota: áreas da CPRM passíveis de serem mineradas a céu aberto" (fonte 107). ↩
Câmara dos Deputados, Legislação Informatizada, Lei nº 14.299/2022, dados da norma (fonte 294). ↩
eixos, "Projeto que beneficia térmicas a carvão de Santa Catarina vai à sanção", 17 de dezembro de 2021 (fonte 292). ↩
eixos, "Câmara aprova subsídios para geração a carvão mineral até 2040", 14 de dezembro de 2021 (fonte 293). ↩
IHU/((o))eco, Suely Araújo e Fabio Alperowitch, "Chamar carvão de sustentável é má-fé absurda", 26 de abril de 2024 (fonte 304). ↩
eixos, Fernando Luiz Zancan (ABCS), "Transição elétrica precisa de menos disputa e mais inovação", 11 de agosto de 2026 (fonte 1335). ↩
Jornal do Comércio, Jefferson Klein, "Benefícios ao carvão são contestados na Câmara dos Deputados", 18 de setembro de 2025 (fonte 303). ↩
eixos, "Regras do novo leilão de potência inviabilizam participação de Candiota, diz Âmbar", 28 de agosto de 2025 (fonte 313). ↩
eixos, "Setor de carvão quer replicar programa de transição de SC para outros estados", 7 de janeiro de 2022 (fonte 1336). ↩
eixos, "Veja o pacote de ações da Arayara para derrubar leilão de concessão", 28 de maio de 2025 (fonte 1324). ↩
Money Times, "Engie conclui a venda do complexo termelétrico Jorge Lacerda à Fram Capital", 18 de outubro de 2021 (fonte 295). ↩
eixos, "Engie vende última usina a carvão no Brasil", 16 de setembro de 2022 (fonte 296). ↩
Poder360, "Eletrobras conclui venda de sua única termelétrica a carvão", 8 de setembro de 2023 (fonte 297). ↩
Diário do Nordeste, "O que está por trás da venda da termelétrica do Pecém para a Diamante Energia?", 14 de junho de 2025, atualizada em 16 de junho de 2025 (fonte 298). ↩
Suno, "Eneva (ENEV3) troca usina a carvão por operação em Pecém; entenda o acordo com a Diamante", 3 de setembro de 2026 (fonte 300). ↩
ONS, dicionário de dados da geração térmica por motivo de despacho, p. 2 a 6 (fonte 067). ↩
ONS, dados abertos, geração térmica por motivo de despacho, 2025, cálculo sobre os dados (fonte 067). ↩
ONS, dados abertos, geração por usina, 2025, agregado por mês e combustível, cálculo sobre os dados (fonte 066). ↩
DIEESE, NIDES/UFRJ e ICS, "As trajetórias de vida que se cruzam com a produção do carvão em Candiota, Capivari de Baixo, Lauro Müller, Treviso e Siderópolis", agosto de 2023, p. 9, com dados de DIEESE e WWF (2021) (fonte 312). ↩
Ember, Global Electricity Review 2026, 21 de abril de 2026 (fonte 306). ↩
Mining Weekly, "IEA still expecting coal demand to fall by 2030 despite record 2025 demand", 17 de dezembro de 2025, sobre o relatório Coal 2025 da IEA (fonte 307). ↩
Carbon Brief, Molly Lempriere, "New coal plants hit 10-year global high in 2025 but power output still fell", 21 de maio de 2026, com dados do Global Energy Monitor (fonte 308). ↩
UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, p. 17 e seção 3.1, p. 26 (fonte 059). ↩
EPE, Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, p. 87 e 90 (fonte 002). ↩
EPE, Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, p. 73 e 96 (fonte 002). ↩
EPE, Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, Anexo I-2, p. 525 (fonte 002). ↩
UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, seção 3.1.3, p. 28, e seção 4.1.1, p. 59 (fonte 059). ↩